Um Portugal rumo à Liberdade: Reflexão sobre as Legislativas de 2025

Um Portugal rumo à Liberdade: Reflexão sobre as Legislativas de 2025

As eleições legislativas de 2025 confirmaram, mais uma vez, o que há muito se intuía: o eleitorado está saturado das fórmulas reiteradas dos partidos de esquerda. Esse desgaste, particularmente visível no Partido Socialista e nos seus antigos parceiros da geringonça, é o reflexo de um cansaço social e cultural que transcende a mera disputa partidária e denuncia uma crise estrutural de descrença nos meios de comunicação social tradicionais, tidos por muitos portugueses como incapazes de os representar.

Assiste-se, pois, ao colapso de um consenso ideológico que, durante décadas, sustentou a hegemonia da esquerda. O ónus da “estabilidade” perdeu sustentação à medida que os portugueses se confrontaram com a realidade crua de um país estagnado, empobrecido e desregulado em matéria migratória.

Ergue-se, entretanto, no vazio desse modelo falido, uma alternativa que está longe de ser genuinamente liberal ou libertária. A ascensão da direita, saudada por alguns como sinal de mudança, assume-se, na prática, como a reconfiguração de um estatismo renascido, agora envolto em retórica nacionalista e protecionista. Substitui-se o discurso da solidariedade pelo da segurança, a igualdade pela ordem, mas persiste a convicção de que o Estado — e não o indivíduo — deve permanecer no centro de organização da sociedade.

Além do horizonte, poderá florescer em Portugal um futuro assente na liberdade individual, no mercado concorrencial e na mínima interferência estatal; resta saber quando surgirá — e quanto custará, em sofrimento social, essa transição. O panorama político atual permanece desolador: as escolhas de 2025 evidenciam não uma rutura com o estatismo, mas a sua metamorfose. À esquerda e à direita, insiste-se em tratar o cidadão como súbdito do Estado.

É nesta conjuntura que se deve interpretar a erosão inevitável da esquerda em Portugal. Esta não resulta no facto do povo ter abraçado conscientemente um ideário mais liberal, mas sim da perda de confiança nos discursos, mensageiros e promessas de outrora. A comunicação social convencional, vista como cúmplice dessa decadência ideológica, perdeu autoridade, abrindo espaço a novas vozes e narrativas no digital.

O estatismo português enferma de vícios profundos: uma carga fiscal asfixiante que desencoraja a criação de riqueza; burocracia que estrangula a iniciativa privada; segurança social a caminho do abismo; dependência crónica de fundos europeus e prestações sociais que, longe de fomentar autonomia, perpetuam clientelas políticas. A centralização sufoca o processo de regionalização, enquanto a captura do Estado por interesses corporativos corrói a meritocracia.

Igualmente preocupante é o carácter coercivo da política monetária. A adesão à União Económica e Monetária transferiu para Frankfurt o controlo dos ciclos de crédito, afastando-o do escrutínio democrático nacional. Para o liberal-libertário, esse sistema representa uma forma dissimulada de imposto — a inflação — que desvaloriza a poupança, favorece o endividamento público e mantém o Estado dependente, em prejuízo do investimento produtivo. A moeda, que deveria ser um meio neutro de troca, torna-se, sob intervenção estatal, num instrumento de coerção silenciosa, que transfere riqueza dos menos protegidos para os beneficiários do sistema financeiro.  

O que resta, portanto, é o lento — mas inevitável — caminho rumo à liberdade. Portugal não será eternamente refém da sua herança estatista, por mais entranhada que esteja. As novas gerações, imersas numa realidade digital, global e descentralizada, exigem maior autonomia, menos burocracia, mais inovação e menor intervencionismo. Aí reside o solo fértil onde, um dia, poderá germinar uma autêntica revolução.

Contudo, a travessia será longa. As legislativas de 2025 não encerraram um ciclo; confirmaram, antes, uma transição em curso — feita de avanços tímidos, mas que transporta em si as sementes de uma mudança mais profunda. Portugal continua longe da liberdade, porém, a liberdade, ainda que tardia, é inevitável.

 

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