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Um Jogo. Um ponto. Um título. Um Campeão.

Um Jogo. Um ponto. Um título. Um Campeão.

Costumo ser cuidadoso nestas coisas do futebol. Até ao fim, tudo pode acontecer, há contingências imprevisíveis. Mas, desta vez, não acredito que o Benfica perca o campeonato.

Seria doloroso, depois de tão extraordinária – quanto improvável – recuperação.

Em Vila do Conde, os rapazes do Lage cumpriram, não sem antes ainda me causarem alguns calafrios. Por instantes, pareceu-me um ‘dejá vu’ do que sucedeu com o FCP. O Benfica colocou-se a jeito e a ‘coisa’ podia ter corrido mal. O André Almeida não pode falhar aquele golo e a equipa não pode – não deve – estar sempre naquela vertigem atacante. O jogo é feito de momentos.

Mas venceram. E agora só falta um jogo e um ponto para o título. O 37.

Não sendo ‘favas contadas’, alguém acredita que o Santa Clara vai ganhar à Luz!? Eu sei, o Moreirense ganhou… Foi, de resto, o único a vencer no ‘ninho da águia’ esta época. Mas o contexto era diferente. Desta vez, na última jornada – a de consagração – a dinâmica tem de ser de vitória. Sem espinhas!

E pensar que a 6 de janeiro deste ano – dia do primeiro jogo de Lage à frente da equipa – o Benfica já estava condenado. Para mim, benfiquista convicto, o campeonato estava irremediavelmente perdido. Para mim, restava-nos ir jogando e tentar fazer o melhor possível, sem envergonhar muito. E esse primeiro jogo – vitória na Luz, 4-2, ao Rio Ave – nem começou bem, uma vez que ao intervalo perdíamos 2-0. De então para cá, um empate e 17 vitórias na Liga Portuguesa. Percurso imaculado, portanto.

Ganhamos os dois jogos ao Sp.Braga, ao FC Porto, na Luz e no Dragão, em Alvalade ao Sporting e só os leões nos tiraram 2 pontos. Ao todo, com os principais rivais e candidatos, o Benfica fez 16 pontos em 18 possíveis. Há muitos anos que tal não acontecia.

E pensar que Bruno Lage era uma solução de recurso. Já se falava do regresso de Jorge Jesus, de Leonardo Jardim, Marco Silva, José Mourinho… Porém, de solução transitória a certeza absoluta, foi um passo. Pelos resultados, pela ousadia, pela mentalidade incutida, até pelo discurso simples e sem tretas. Uma aposta ganha.

E nunca mais se ouviu falar de Rui Vitória.

E o que mudou?

Não sou especialista em futebol. Não percebo nada de tácticas. Sou um mero adepto de bancada. Não entro em discussões estéreis. Gosto de ver grandes jogos, bons jogadores, golos espectaculares, jogadas fantásticas. Gosto da emoção, da incerteza dos resultados. Não embarco em polémicas dos pénaltis por assinalar ou mal marcados, do fora-de-jogo que foi mas já não é, do vídeo-árbitro, da expulsão que devia ser e não foi…

Dito isto, na minha opinião Bruno Lage fez mudanças simples, mas óbvias. E tudo começou pelos jogadores, os artistas da bola.

João Félix – antes, jogava a espaços e fora da sua posição natural. Era um pecado vê-lo encostado à faixa direita.

Seferovic – com a colocação de Félix ali por perto, o suíço ganhou outra vida e transformou-se no goleador que nunca tinha sido.

Rafa – passou a titular indiscutível e desatou a marcar golos.

Ferro – promovido por Lage e logo para titular. Pegou de estaca e está feito um senhor central.

Samaris – votado ao ostracismo por Rui Vitória, em boa hora Bruno Lage o resgatou. Tem sido o pulmão do meio-campo.

Gabriel – o brasileiro foi contratado por indicação de Rui Vitória mas não jogava, vá lá saber-se porquê. É um poço de força, de técnica e de visão de jogo. Pena foi a lesão.

Florentino – o mais discreto, mas com uma qualidade que não engana.

Em suma, o treinador do Benfica colocou a equipa a jogar, com as peças certas nos lugares certos, sem invenções. Depois, conseguiu unir um balneário que parecia estar feito em cacos. Conquistou os jogadores e os adeptos, eu incluido.

A uma jornada do fim da Liga, o Benfica tem o melhor ataque (99 golos). Na lista dos melhores marcadores, tem quatro jogadores nos 10 primeiros lugares: Seferovic em primeiro, com 21; Rafa em terceiro, com 16; João Félix com 14, em sexto; Pizzi em oitavo, com 13.

Pela magia reconquistada, pelo futebol que oferece, pelo sonho que devolveu, pela fantástica segunda volta, pela recuperação quase épica, o Benfica merece ser campeão.

E dia 18, ao final da tarde, na Luz, para além do objectivo principal que é a RECONQUISTA, mais duas metas por alcançar: marcar mais de 100 golos e fazer de Haris Seferovic o melhor marcador da época.

Já agora, era giro. Não era!?

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Publicado por Pedro Guináz

Este é um espaço dedicado ao futebol. De um adepto de bancada. Sem grandes teorias, sem pretensões e sem guerras inúteis.  De um fã de bons jogadores e do futebol jogado. Com paixão, mas sem clubismo. Um olhar simples sobre o 'futebolês'.

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