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Sou mãe solteira, e então!?

Hoje em dia muitas são as pessoas que transparecem ter uma família perfeita, que são felizes até ao último poro da sua pele, que os seus maridos são super perfeitos e que se for para demonstrar alguma coisa que seja sempre o melhor de cada um. Pois bem, bem vindos ao nosso mundo hipócrita!

As pessoas devem ter achado que eu era louca quando decidi separar-me do pai do meu filho, quando ainda não estava sequer a meio da minha gravidez. Às 16 semanas de gestação, decidi terminar com aquilo que se estava a tornar uma relação obsessiva. Enquanto eu começava a planear a chegada de um bebé, havia um ser que insistia em única e exclusivamente preocupar-se em saber que passos eu dava e com quem me relacionava nas 24h do meu dia mostrando total desinteresse nas “baby things”. Sim, era assim que ele lhes chamava. Mas digam-me, qual é a mãe que, tendo essa possibilidade, não se entusiasma em querer organizar e comprar o que o seu filho precisará na hora da sua chegada? Nessa altura e a sangue frio, apercebi-me que aquele “temos tempo” vinha agarrado a um enorme desamor. Como se me dissessem… “estás por ti!” e na minha cabeça ouviu-se um “piiiiiiiiiii”. Tive de assimilar essa realidade muito rapidamente, afinal era de um bebé que se tratava. Estive sempre consciente de que o meu filho precisava, sobretudo, de uma mãe emocionalmente tranquila e que pudesse dedicar-se exclusivamente às suas necessidades.Sempre sonhei em ser mãe, e talvez por isso estava muito claro na minha cabeça que preferia estar “sozinha” do que passar a gravidez e a maternidade no meio de brigas, situações de desrespeito e fazer com que o meu filho, no decorrer do seu crescimento, começasse a achar que algumas condutas machistas eram normais e aceitáveis.

Existe uma grande diferença entre ser mãe solteira e mãe sozinha. NUNCA estive sozinha. Parte da minha família e um ou dois amigos foram cruciais na hora de me segurarem a mão. Sim, até hoje, eu vivia no mundo hipócrita em que deixava que as pessoas não percebessem que realmente a minha vida não é um mar de rosas, e que por detrás deste sorriso…existem fantasmas.

Hoje liberto-me de um e grito ao mundo que sou mãe solteira. E então?

Às mentes sujas que acham que serei menos mãe por estar “sozinha” e para que fiquem esclarecidas, eu sou dona de uma luta diária para fazer o meu filho feliz. Dispenso ser apelidada de lutadora ou guerreira. Eu sou MÃE! Só. Isso sim é importante de ser escutado e é algo que me deixará com o ego a transbordar. A minha luta será até ao meu último suspiro e até lá, são os nossos filhos que devem ser admirados.

Não é fácil e continuará a não ser, mas nós mães solteiras não merecemos críticas ou que nos rotulem. Merecemos respeito e precisamos de muito, muito carinho. Quem vier, que venha sem malícia. O nosso esforço e a nossa entrega não são susceptíveis de valorização monetária.

O que nos faz verdadeiros pais ou mães, é a capacidade de superar o medo que todos sentimos ao saber que há um ser humano que depende inteiramente de nós. Somos pais quando assumimos o nosso papel de progenitores com amor e com desprendimento ao que era a nossa vida. Eu não tive a sorte de ser acertiva quanto ao pai do Vincent, mas seguramente que não será qualquer um com quem partilharei parte dele. Sim, porque eu não desisti de ser feliz e de ter uma família com que sempre sonhei! Mas das verdadeiras. 😉

Vocês que me lêem e que se revêem em alguma linha deste meu assumido post, vão continuar nesse “lugar onde vivem” ou estão comigo, contra o estigma das mães solteiras? 😘

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