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Sou do Liverpool desde pequenino…

Sou mesmo.

Lembro-me de ver jogos com o meu pai, nos idos anos 80…Lembro-me de jogadores como os escoceses Kenny Dalglish e Graeme Souness, este último viria, mais tarde, a ser treinador do Benfica.

Dominavam aquele meio-campo e alimentavam um tal de Ian Rush. Um galês que marcava golos que se farta! Fazia lembrar o Nené do Benfica. Quase não sujava os calções, mas era elegante e letal em frente à baliza.

Lembro-me ainda de Bruce Grobbelaar, o guarda-redes sul-africano. Era capaz do melhor e do pior. Fazia defesas impossíveis para, logo a seguir, dar ‘frangos’ monumentais. Mas dava espectáculo com o seu estilo pouco ortodoxo.

O Liverpool dominava o futebol inglês dos anos 70 e 80. Também dava cartas na Europa.E eu torcia por eles. Talvez porque vestiam de vermelho… Talvez porque ganhavam muitas vezes.

Era a minha equipa inglesa de eleição.

Mas é curioso que também gostava muito do Tottenham. Muito por culpa de dois argentinos mágicos que pontificavam nos Spurs: Osvaldo Ardiles e Ricky Villa. Eram geniais.

De lá para cá, o futebol mudou imenso. De milhares, passou a falar-se de milhões, as tácticas são diferentes, os jogadores tornaram-se estrelas planetárias, os treinadores evoluíram…

O jogo ficou diferente. Nem sempre melhor, é certo. Mas continua a arrastar multidões e a alimentar paixões.

E a ‘culpa’ é de jogadores e de equipas como este Liverpool de Jürgen Klopp.

Já não é a mesma equipa dos idos anos 70 e 80. Não.

Nos últimos anos recuperou um pouco da magia perdida.

E eu voltei a ser ‘Red’. Tal como em pequenino. Exultei na meia-final tão heroicamente ganha ao Barcelona de Messi.

E torci por eles na final de Madrid. Afinal, “They’ll Never Walk Alone”.

Não foi um grande jogo de futebol…E aquele penalti logo a abrir, condicionou muito do jogo que poderia ter sido.

Mas, como já alguém disse, as finais não são para dar espectáculo, são para ganhar.

E o Liverpool ganhou. E ganhou bem.

O espectáculo, esse, ficou do resto de uma época brilhante, mágica.

A vertigem atacante, a velocidade, a intensidade, a técnica, o crer da equipa do alemão Klopp tornou-a uma das mais temíveis da edição deste ano da Liga dos Campeões.

Uma parte disso deve-se a Jürgen Klopp que já merecia um título deste calibre. Outra parte ficará a dever-se aos adeptos e ao hino “You’ll Never walk Alone”. Arrepiante, quando cantam e levam a equipa ao colo…

Outra boa parte do sucesso do Liverpool deve-se ao trio de ataque: Salah, Mané e Firmino. O egípcio, o senegalês e o brasileiro assistem, marcam golos, fazem magia e, juntos, tornaram-se um dos ataques mais fortes do mundo.

Enquanto adepto de bom futebol, rendi-me aos três. Mas houve outros que me ‘encheram as medidas’. Vou eleger quatro.

Jordan Henderson, o médio inglês, capitão de equipa. Pela força, determinação e mística.

Alexander-Arnold, defesa direito inglês. Pela técnica e pela irreverência.

Wijnaldum, médio holandês. Pela elegância e visão de jogo.

Por fim, outro holandês: Virgil van Dijk. O defesa-central mais caro da história do futebol (85 milhões de euros) também eleito o Melhor Jogador do ano da Premier League. ‘Encheu-me as medidas’ pela autoridade que impõe, pela força e pela inteligência no posicionamento dentro de campo.

Mereceram todos, a Liga dos Campeões.

O jogo, repito, não foi espectacular.

Os ‘reds’ foram controlando um jogo que começaram a vencer muito cedo.

E, no fim, mesmo a acabar, o golpe final por aquele que já tinha sido o herói improvável na meia final com o Barcelona: o belga Origi.

E o Liverpool acabou a conquistar a sua 6ª Taça dos campeões da Europa.

E eu voltei a ser pequenino e aos tempos em que via os jogos com o meu pai…

Com ela – a Taça – no bolso, Van Dijk, Sadio Mané e Mohamed Salah tornam-se os mais fortes candidatos a vencer a Bola de Ouro.

A menos que Cristiano Ronaldo vença a Liga das Nações e, com isso, acabe por conquistar a sexta bola da sua carreira.

Também a merecia, diga-se.

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Publicado por Pedro Guináz

Este é um espaço dedicado ao futebol. De um adepto de bancada. Sem grandes teorias, sem pretensões e sem guerras inúteis.  De um fã de bons jogadores e do futebol jogado. Com paixão, mas sem clubismo. Um olhar simples sobre o 'futebolês'.

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