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Ser ou não ser Ultracrepidário, eis a questão!

Actualmente, com a disseminação caótica das notícias que proliferam através dos meios de comunicação, assiste-se a fenómenos de (des)conhecimento atrozes. Na verdade, muita informação/ notícias/ opiniões que se disseminam pelas redes e plataformas sociais, como sangue a circular nas veias e artérias do mundo virtual, são erradas, ou seja, induzem em erro o leitor crédulo. Sem qualquer tipo de ironia, creio que esta é bem capaz de ser uma epidemia intelectual dos tempos modernos, propagada pela facilidade com que se fala de matérias sobre as quais pouco ou nada sabemos.

Custa a acreditar que toda a gente tenha uma palavra a dizer sobre tudo e todos, como se fosse especialista/ sumidade no tema/ assunto em questão. A bem dizer, se não tomarmos as devidas precauções, somos sérios candidatos a ultracrepidário(s), palavra estranha que indica aquele que ou quem dá opiniões sobre um assunto que desconhece ou de que conhece pouco (de acordo com a definição apresentada no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa).

É claro que a liberdade de expressão existe (atenção… parece que esta expressão não estará correcta, uma vez que a expressão é, por definição, livre, e como tal, não é necessária a redundância…, mas isso é outra discussão que não cabe agora aqui). Existe e fazemos uso dela, profusamente e sem filtros de sabedoria.

Já vai sendo tempo de sermos mais cuidadosos com as opiniões que damos, com as afirmações que veiculamos, principalmente quando as deixamos registadas, no sentido de ultrapassarmos a mera inferência, e este também é uma acto de liberdade de expressão. É assim como eu digo porque sim já não chega. É necessário fundamentar e colocar alguma ordem no caos. Afinal, o conhecimento está ao alcance de todos, só temos de encontrar o caminho certo.

Adília César

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Publicado por Adília César

Educadora de infância e formadora no âmbito da Didáctica das Expressões Artísticas, sendo Mestre em Teatro e Educação. Publicou dois livros de poesia: “O que se ergue do fogo”(2016) e “Lugar-Corpo”(2017) e tem colaborações dispersas em revistas, magazines e poezines, nomeadamente: LÓGOS – Biblioteca do Tempo, Eufeme, Piolho, Estupida, Debaixo do Bulcão, Enfermaria 6 e Nova Águia, além de ensaios e artigos de opinião. É co-coordenadora do projecto literário “LÓGOS – Biblioteca do Tempo” e co-directora editorial da revista com o mesmo nome.

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