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Rumo ao Euro-2020 – sem chama e aos repelões

Já lá estamos. É um facto. Mas, convenhamos, foi uma qualificação sofrível. 

Não foram exibições de encher o olho. Não. 

E com Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva, Bruno Fernandes e afins, devíamos ter sido mais categóricos. 

Fiquei desiludido pela forma como chegámos ao Euro 2020. Lamento dizê-lo.

Em última análise, o que conta são os resultados, mas as exibições fraquinhas deixam-me preocupado com o que nos reserva o Campeonato Europeu de 2020.

Inseridos num grupo em que éramos, claramente e teoricamente, a melhor equipa, não podemos – não podíamos – ter feito exibições tão poucochinhas. 

Perdemos 7 pontos com Ucrânia e Sérvia. Aliás, só com os ucranianos perdemos 5, fruto de uma derrota e de um empate. 

A Ucrânia não é melhor do que Portugal, portanto, não fomos competentes. É essa a única conclusão.

O único jogo em que fiquei, digamos, convencido, foi o que ganhámos na Sérvia por 4-2.

No resto, exibições muito pálidas perante selecções que não são do nosso campeonato. Cumprimos a obrigação de ganhar a Luxemburgo e a Lituânia, mas com os outros – Ucrânia e Sérvia – sentimos muito problemas. 

Eu sei, já não há jogos fáceis, mas, francamente, o último jogo, no Luxemburgo, foi sofrível. 

Não acabámos a fazer contas, como no passado, mas quase. 

Desde que Fernando Santos tomou conta da Seleccção Nacional, a equipa tornou-se mais pragmática. Foi com esse pragmatismo que fomos Campeões da Europa em 2016. 

Mas, com tantos e tão bons jogadores, a ‘nossa’ selecção nunca fez um jogo de encher o olho, um daqueles jogos arrasadores. Dá a sensação de que foram sempre exibições quanto baste para os pontos. 

E tenho medo. De que seja insuficiente para os jogos do Euro-2020. Como será se levarmos com Alemanha, Espanha ou Inglaterra? Já para não falar em Bélgica, Itália ou França. Sim, França. O que aconteceu em Paris, em 2016, não é garantia de nada. 

A maioria das vezes, os jogadores portugueses parecem lentos, mais frágeis fisicamente, menos dotados. E não é verdade, temos dos melhores jogadores da Europa e do mundo, portanto, não entendo. Fica sempre a sensação de que podíamos ter feito mais…  

Não estou a pedir sempre goleadas de 5-0, como é óbvio. Mas, gostava de ver mais força, que sejamos mais contundentes. Na derrota com a Ucrânia, não foram eles que foram mais fortes, nós é que não fomos o que podemos ser. Porquê, é o que me questiono…

A cada jogo da selecção, espero sempre uma exibição digna do talento dos nossos jogadores. Porém, a maioria das vezes, defraudam as minhas expectativas e fazem-me sofrer sem necessidade. Porque podiam fazer mais e melhor, tenho a certeza.

No Europeu da nossa consagração, em 2016, só num jogo fomos completamente categóricos: contra o País de Gales. Os outros, foram com muita alma, sim, mas sofridos. 

Mas acabámos campeões e, dir-me-ão, que isso é que conta. 

Pois é.

Já o disse, é o pragmatismo de Fernando Santos. E tenho de me render.

Prefiro ser campeão com exibições sofridas, do que não ganhar nada com exibições de luxo.

Mas pode haver um meio-termo, certo?

Fernando Santos foi o ‘engenheiro do Euro 2016’ e acabou idolatrado por todos. 

Agora, diz que Portugal não é favorito, mas é candidato. Concordo.

Mas lá está, se a equipa, sem medo, colocar em campo todo o talento dos nossos jogadores, se der um pouco mais do que deu na qualificação, passaremos de candidatos a favoritos.

Dito isto, espero que Portugal repita a ‘gracinha’ de 2016. 

Lá estarei a torcer por fora, como sempre. A roer as unhas, a chamar nomes ao árbitro, a insultar os jogadores, a gritar com o Fernando Santos. É assim, sou um simples adepto que não percebe nada de futebol e só quer ver a selecção a ganhar e a jogar o que sabe. Sem tretas. 

De 13 de junho a 12 de julho de 2020, 12 cidades europeias vão receber as estrelas da bola. Uma dúzia de países serão palco da festa do futebol. Portugal está fora desse itinerário. Oxalá isso não seja um mau pronúncio. 

Vamos lá, cambada!!

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Publicado por Pedro Guináz

Este é um espaço dedicado ao futebol. De um adepto de bancada. Sem grandes teorias, sem pretensões e sem guerras inúteis.  De um fã de bons jogadores e do futebol jogado. Com paixão, mas sem clubismo. Um olhar simples sobre o 'futebolês'.

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