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Revoltem-se, pá!

Ontem parei para pensar no pior que me podia acontecer: morte de alguém muito querido?… doença?… divórcio?… desemprego?…  solidão?…

Mas não, não mereço tamanho mal. Quanto muito uma dorzita de barriga pelo marisco que estava estragado, ou mais um ano triste pela perda do campeonato, ou então a amargura por mais uma vez não ter conseguido arranjar bilhete para o concerto dos U2…

Pois, a Síria não é no cú de Judas. Fica, apenas, a 5 mil quilómetros de distância. Perto de Israel, da Turquia, do Azerbaijão. Ainda há dias o Sporting jogou para a Liga Europa em Astana, no Cazaquistão, que é muito, mas mesmo muito mais distante. Outros tantos 5 mil quilómetros para lá.

Julgávamos a Síria lá ao longe?… Afinal, não é assim tanto.

Este puto não queria ser um Ronaldo, nem comer camarão, muito menos ver o Bono Vox. Apenas queria ter o pai e a mãe por perto. Mas O Mundo, NÓS não quisemos saber. Não deixámos ontem, não deixamos hoje e amanhã também não queremos saber.

A Síria tem no poder um oligarca assassino que já dizimou meio milhão de civis e obrigou outros 5 milhões a fugir do país, sobretudo mulheres e crianças, alguns, poucos, conseguiram chegar à Europa e têm sido recebidos como bem sabemos, ou porque achamos que se tratam de terroristas ou porque vêm roubar-nos os empregos, etc, etc, etc… Actualmente, dos 13 milhões de habitantes que ainda por lá resistem, 70% não tem água potável nem acesso a alimentos básicos. Enquanto isso, o Mundo continua a ignorar as atrocidades perpetradas por Bashar al-Assad e pelos “chacais” da Rússia e do Irão, que escudando-se no combate ao Estado Islâmico aquilo que querem é continuar a tirar rendimentos com o apoio ao governo sírio. Como?… A Síria tem petróleo. E isso dá jeito, melhor, explica tudo.

Saber dá trabalho.

Resumindo a minha revolta: a Imagem dói, não dói?… Até nos faz soltar uma desavergonhada lágrima… mas estamos aqui tão bem sentados e, já agora, com quem jogamos hoje?…

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Publicado por João Pedro Martins

João Pedro Martins nasceu em 1967, em Vila Franca de Xira. Jornalista e escritor, deu os primeiros passos na Imprensa Escrita e na Rádio com apenas 17 anos. Rádio Comercial, RTP e TDM (Macau), entre outros, fazem parte do seu percurso.
Livros Publicados: Pedras Soltas - poemas (Fronteira do Caos Editores/2014); A Celebração do Rei Lagarto – romance (Fronteira do Caos Editores/2013); Amor, Meu Grande Amor – romance (Fronteira do Caos Editores/2012); A Promessa – romance (Fronteira do Caos Editores/2010); Segredos – romance (Fronteira do Caos editores/2009); Céu Negro – romance (Fronteira do Caos editores/2008); As Portas ou a morte de um mito – romance (Garrido Editores/2003).
Autor de texto "O Mundo da Lua", em Antologia de Poesia e Prosa (Lua de Marfim Editores, 2014).
Autor da Peça de Teatro: Paquera Cultural, levada à cena em Lisboa e em São Paulo, Brasil, integrada no Festival de Peças de Teatro de Um Minuto em 2013.
Troféu Excelência 2014, em reconhecimento ao valor artístico, da Literarte – Associação de Escritores e Artistas, que fraternalmente congrega artistas de diversas vertentes e entidades culturais do Brasil e do Mundo.
Membro Honorário do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora.
Links: Ver Livros - Escritores Online - Conexão

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