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Queríamos um Salvador, mas saiu-nos um Conan

Lembro-me do dia 13 de Maio de 2017. Salvador Sobral trazia-nos a alma numa canção que viria a ser vencedora do Festival Eurovisão de Kiev.

O Ederzito da música vencia naquela que já era uma noite abençoada e gloriosa.

Aclamado por todos e com uma festa como nunca se viu, Sobral foi recebido no aeroporto por multidões que cantavam em uníssono “Amar pelos Dois”.

Trazia-se a Eurovisão para Portugal. A RTP preparou uma mega produção e pôs todos a bordo. As quatro apresentadoras portuguesas surpreenderam o mundo, com beleza e com a fluência com que naturalmente apresentaram o maior festival de música.

No altice Arena, eterno Pavilhão Atlântico, “o Jardim” de Cláudia Pascoal não deixou ninguém boquiaberto e a melodia melancólica não conquistou pontos. Portugal passou de bestial a besta – uma besta fofinha – e orgulhosamente caiu para o último lugar.

As flores do jardim murcharam ainda mais quando se soube que era Israel que se vencia o festival.

Com sons cacarejantes, Netta – com o tema “Toy” – levava a melhor e numa luta renhida com Chipre, saiu com o primeiro lugar.

A brincar a brincar, era Telaviv que recebia em 2019 o maior festival de música. O mundo fez pedidos de boicote, mas ninguém aderiu.

Em Portugal nascia uma nova estrela, que fazia renascer a esperança de voltar a vencer a Eurovisão. Com a irreverência e com uma prestação marcante, Conan Osíris trazia um João a dançar em pontas e o tema “Telemóveis”.

A música não reuniu consenso e dividiu opiniões. Tão depressa Conan era associado ao lixo da música popular, comparado a Maria Leal e Zé Cabra, enquanto muitos o consideravam o novo António Variações ou Carlos Paião.

Este homem capaz de provocar reações tão extremas chegou mesmo ao palco principal da arena de Telaviv.

Um tema  ali a meio caminho entre o fado, a música cigana e a eletrónica, pouco convencional portanto, Conan provocou  paixões assolapadas e conquistava ódios.

Ou se gosta ou se odeia. Não é tema de choninhas nem de meio termo. É a elevação de um artista que não é fácil de entender.

Lembro-me da primeira vez que ouvi. Odiei. Ouvi de novo, uma e outra vez. Continuei a não adorar, mas já batia o pé e o corpo parecia ganhar ritmo.

Primeiro estranha-se, resiste-se, mas depois não há maneira de não viciar. Como diz Conan somos todos “borregos” e acostumamo-nos a repudiar aquilo que não é comum ou que não conseguimos classificar.

Entre ensaios que teimavam em não correr bem, quer pelo som ou pelo jogo de luzes, veio a semifinal e Conan caiu orgulhosamente. Não passou (ainda bem!). O palco da Eurovisão é pequeno para um músico e música do Mundo, transcendente e a única capaz de dizer sem pudor aquilo que vai na alma.

Adoro Salvador. Admiro Conan. Ninguém pode pensar em comparar. Ninguém pode ficar à espera de repetir a história, porque esta agora escreve-se com o Rapaz do Futuro.

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Publicado por Margarida

Gosto de opinar sobre os mais diversos assuntos da atualidade. Este será o espaço onde darei o meu ponto de vista sobre o comportamento da sociedade.

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