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Pra não dizer que não falei das flores

A humanidade, desde seu surgimento e evolução, buscou produzir manifestações de sua presença em um meio. Uma das primeiras formas encontradas recebeu o nome de “pintura rupestre”, caracterizada por desenhos rústicos em grutas e cavernas, representando animais, caçadas, plantas e símbolos. Ou seja, há mais de séculos, a arte é produzida pelos homens.

André Malraux, crítico e escritor francês, afirmou que “a arte é um antidestino”. Dessa maneira, entende-se que a mesma pode alterar a percepção de um indivíduo acerca do seu mundo e de sua realidade, motivando-o, talvez, a tentar mudá-la. Tal afirmação é flexível à questionamentos, pois a arte crítica e elucidativa foi subjugada pelo capitalismo e pela mídia, transformando-a em uma “máquina” de dinheiro e fama.

É possível reconhecer tal transformação comparando o Brasil atual com o Brasil ditatorial, um dos períodos de maior produção artística do país. Artistas como Chico Buarque, Vinicius de Moraes e Geraldo Vandré compunham suas músicas engajados em protestos contra o governo opressor imposto na população, cantando sobre a violência e a falta de liberdade. No teatro, as peças possuíam um teor revolucionário. No cinema, as produções continham traços na luta pela democracia. Era a arte contra o Estado. Hoje, as dificuldades políticas continuam, mas há uma diferença gritante: a arte se calou, em um país que a liberdade não mais é proibida, possibilitando a “manumissão” para artistas atuais protestarem. Eles o fazem? Não.

Assim, arte é crítica, é emoção, é protesto, feitos com sentimentos e transparência, não somente por artistas propriamente ditos, mas por todos, porque todos fazem parte de uma sociedade cultural.

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Publicado por Leandra Silveria

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