É fácil apontar o dedo à falta de dinheiro sempre que algo falha. Quando os hospitais estão à beira do colapso, quando os professores fazem greve ou quando um jovem com curso superior emigra por falta de oportunidades, a desculpa é sempre a mesma: “Portugal é um país pobre.” Mas isso é uma falácia conveniente. Portugal não é pobre — é, sim, gerido como se fosse.
O problema não está na ausência de riqueza, mas na forma como ela é distribuída e desperdiçada. Temos sol, mar, florestas, cidades históricas, turismo em alta, talento jovem e um povo resiliente. E, mesmo assim, continuamos a viver com políticas que penalizam quem trabalha e beneficiam quem pouco ou nada contribui.
Há quem viva exclusivamente de apoios sociais durante anos, sem qualquer contrapartida. Não porque não possa trabalhar, mas porque não precisa de o fazer. O sistema acomoda. Enquanto isso, os que acordam cedo, pagam impostos, cumprem regras e contribuem para o país, veem-se asfixiados por uma carga fiscal absurda e por salários que mal cobrem as despesas. É desmotivador. E é injusto.
Se os cortes recaíssem menos sobre quem já pouco tem e mais sobre quem abusa descaradamente do sistema, talvez Portugal fosse mais justo. Se os apoios sociais fossem reformulados para ajudar quem realmente precisa — e não para perpetuar a dependência — estaríamos a valorizar o esforço, e não o oportunismo.
É verdade que há sinais positivos. As exportações cresceram, o turismo é uma fonte vital de receita, e muitos jovens estão a empreender com sucesso. Mas são conquistas conseguidas contra a corrente. Falta um Estado que apoie, em vez de atrapalhar. Um governo que saiba fazer contas, cortar no supérfluo e investir no essencial. Que trate o país como um projeto com futuro, e não como um buraco negro de promessas vazias.
Portugal não precisa de esmolas. Precisa de líderes à altura do seu potencial. Chega de gerir o país como se estivéssemos de mão estendida. Somos mais do que isso. E merecemos mais do que isso.



