in

Passar a pensar Micro em vez de Macro (ou como tratar o vazio existencial!)

Há dias em que dou por mim a pensar qual é o verdadeiro significado da minha existência.

E é nesses momentos em que sinto aquele sentimento de que falta qualquer coisa a ficar mais forte, a crescer galopante dentro de mim sem que o consiga controlar.

Invariavelmente nesses dias ando mais triste, cabisbaixo, deprimido, porque não consigo deixar de pensar que não ando aqui a fazer coisa alguma, e por mais que tente colmatar o vazio parece que ele é um buraco sem fundo que quantidade alguma de programas de televisão ou barras de chocolate de leite consegue preencher.

Acredito que não seja o único a ser invadido por este sentimento, a experienciar este vazio existencial, a passar dias e dias com a sensação de que se desaparecesse como por artes mágicas ninguém iria realmente importar-se.

Na verdade, se analisarmos as coisas de um ponto de vista evolutivo, provavelmente cada um dos seres humanos que habita este planeta não veio ao mundo com nenhum objectivo em especial.

Quando nós vemos 200 pinguins a andar em filinha num terreno coberto de neve não pensamos que cada um daqueles pinguins tem um propósito existencial específico.

É apenas um pinguim a andar em filinha num terreno coberto de neve juntamente com os outros pinguins todos.

Também podemos pensar que a nossa existência serve unicamente para satisfazermos as nossas necessidades biológicas básicas – comer, dormir, beber, urinar e defecar – além de procriar o máximo possível para perpetuar a espécie.

Claro que estas visões da nossa realidade individual ainda são mais deprimentes e não há pacote XXXXL de batatas fritas que nos consiga deixar minimamente motivados em continuar a existir, por isso a solução é acreditarmos que cada um de nós veio a este mundo com uma razão.

Agora o problema, na minha opinião pessoal, é que a maior parte de nós vive com esta sensação de vazio, de falta, de não estar completo, porque pensa de forma Macro.

Estamos sempre a convencer-nos que temos de fazer algo gigantesco para a nossa existência fazer o mínimo sentido.

Temos que salvar milhares de pessoas. Criar empresas extremamente lucrativas. Sermos os melhores em qualquer coisa que nos possa conceder um prémio Nobel.

E se não fizermos nada disso parece que não servimos para coisa alguma, que estamos a consumir oxigénio apenas para não cairmos redondos no chão.

E é aí que surge a insatisfação, a falta de auto-estima, o sentimento de fracasso.

É a partir daí que começamos a ser mais duros connosco, que não nos sabemos perdoar, porque se outra pessoa conseguiu porque raio é que nós não conseguimos também?

A solução para mim é começar a pensar em Micro.

Em vez de querermos mudar o mundo e ter um impacto digno de aparecer num documentário do canal História, porque não compreendermos como é que a nossa pessoa pode influenciar positivamente outros num raio de 5 km?

Num raio de 5 km quem são as pessoas e as situações que nós podemos com as nossas capacidades melhorar?

Quais são as pontes que podemos solidificar, que barreiras é que podemos deitar abaixo, que vidas é que podemos transformar às vezes com uma palavra, um sorriso, um abraço?

E como estamos na era do virtual façam a transição desses 5 km para as redes sociais.

Ok, podem ter 20000 seguidores no Instagram, mas quais são aqueles que estão dentro desses 5 km virtuais em que vocês podem causar um impacto positivo?

Vocês querem que o vosso blog seja conhecido até na Papua Nova-Guiné, mas quais são as pessoas que vos seguem, muitas vezes silenciosamente, que poderiam beneficiar de uma palavra de atenção genuína da vossa parte?

Sabem aquela história da borboleta que ao bater as asas cria um tufão na outra parte do mundo?

O pensamento Micro leva a consequências Macro.

Podemos não as ver logo, podemos não ter noção que elas ocorreram, podemos achar que o que fazemos não tem impacto algum, mas acreditem que individualmente somos todos rodas dentadas que em conjunto põem em funcionamento o relógio da mudança!

publicidade

Também gostaria de publicar o seu artigo de opinião no nosso site? Clique aqui.

Vote nesta opinião

Publicado por Triptofano

​Triptofano
Foodie | Pharmacist | Blogger | Cosmetic Enthusiast | Ana Malhoa Unnofficial Biggest Fan
Follow me on: My Blog | Zomato | Instagram

publicidade

Deixe uma resposta

publicidade

A pobreza e os Sadio Manés deste planeta

Água: uma força arrebatadora que ameaça escassear