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Os incêndios em Portugal: E então? O que temos de novo?

Este Verão muito muito alongado até meados de Outubro trouxe-nos uma tragédia de deixou apenas de ser da madeira queimada e da destruição da floresta portuguesa para passar a ser uma verdadeira tragédia humana com mais de 100 mortos. No entanto, muitas questões ficaram a pairar no éter sem conclusões definitivas e consequente tomada de responsabilidades.

A demissão da MAI e de algumas chefias da Proteção Civil parece ter acalmado os ânimos e como era essencial os meios de comunicação social e as forças políticas que tiveram de virar as suas baterias para questões orçamentais e nomeações europeias.

Mas muitas perguntas ficaram por responder: a começar pela origem do Grande Fogo de Pedrogão! O fogo que mais vítimas mortais causou… quais foram as suas causas? Depois do ridículo de da trovoada que teria sido o ponto de ignição (quanto nenhuma trovoada seca tinha existido naquela região passando pela tentativa de culpabilização das linhas de alta tensão da EDP… mas a possibilidade fogo posto nunca foi devidamente considerada. Porquê?

Também nunca foi explicado devidamente quem efectivamente foi responsável pelas estradas não terem sido encerradas quando deviam e apenas quase 5 horas depois do primeiro alerta. E porque foram as pessoas encaminhadas para a agora denominada “estrada da morte” quando se sabiam as características daquela estrada com copas de de árvores a tocarem-se formando um túnel infernal?

E porque não explica também o motivo porque os meios aéreos da Força Aérea não são utilizados no combate a incêndios preferindo-se pagar remunerações milionárias a empresas privadas para que utilizem os seus meios?! Na Força Aérea será um problema de equipamento? Um problema de falta de formação dos pilotos para ataque a incêndios. É afinal o quê?

Isto para não falarmos do grande negócio da substituição das viaturas das corporações de bombeiros ou do magnífico negócio que é também o fornecimento de equipamento de proteção individual?

E mais perguntas? No pós-tragédia, o que está a ser feito em termos de ordenamento do território para que as desgraças deste Verão não se repitam? Certamente que não conseguiremos reflorestar tudo com espécies endógenas e não invasoras mas certamente poderemos incentivar a limpeza das áreas de segurança, abrir os necessários caminhos de acesso, repor uma força anualmente presente de Guardas Florestais. As multas terão de ser bem duras para quem não garantir a limpeza dos seus terrenos. Infelizmente, em Portugal só funcionarão medidas de âmbito duramente punitivo. Por aqui passará a prevenção associada que terá de estar a um incansável combate e escrutínio de todo e qualquer tipo de aproveitamento com a indústria do fogo. Desde as celuloses que têm todo o interesse em comprar madeira a 1/3 do preço até vendedores de meios aéreos, de viaturas de combate de equipamentos de proteção… todos têm de estar sobre muito próxima vigilância.

Do lado do combate, quando ele for necessário, teremos que ter um sistema de comunicações resiliente e redundante que permita um ataque efectivo e atempado de situações evitando assim o escalar das mesmas. Temos de ter uma Força Aérea activa e empenhada no combate e na coordenação dos meios aéreos que deverão, na vida do possível, ser nossa propriedade. Tem que também haver muito mais profissionalismo na coordenação ao combate mas também no ataque efectivo do mesmo. A formação nos dois âmbitos terá ser bastante reforçada para termos bombeiros e comandantes de bombeiros com os skills necessários a estes autênticos teatros de Guerra.

Infelizmente e para minha grande tristeza creio que no Verão de 2018 vamos voltar a falar sobre este assunto e mais uma vez não será pelas melhores razões!

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