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O silêncio dos Assistentes Sociais

A falta reconhecimento a nível institucional e ausência de uma estratégia e comunicação mediática são algumas das vulnerabilidades da classe profissional, na modernidade. das/ dos Assistentes Sociais.

Mas,na Assembleia da República, ainda não foi naquele dia que os festejos se concretizaram, contudo, os profissionais mantiveram umforte sentimento e percepção de que era/é/ou será desta vez queirá acontecer (“há 3ª é de vez”).

Jádecorreram cerca de 5 meses, etudo se mantém. Assistimos durante todoeste tempo, à atividade parlamentar, designadamente, na Comissão de Trabalho e da Segurança Social, ao debate sobre outras petições, bem como à discussão e debate acerca de outras OrdensProfissionais (iniciativas anteriormente entradas à OAS); ouvimos a bastonária de uma outra Ordem profissional ([email protected]) ter a insensatez de emitir uma opinião, relativamente a uma área que e não lhe diz respeito e que demonstrou desconhecer totalmente. Sabemos também quea APSS (Associação de Profissionais do Serviço Social) terá solicitado audição à comissão em apreço, e ainda que (pelo menos) uma colega terá apresentado uma petição em nome individual,a fim de ser informada do estado do processo da OAS. Mas, tudo se mantéme mantém igual, ou seja, em Agosto a atividade parlamentar entrou em “modo de férias”, sem que até lá, ao que parece, se tenha evoluído no âmbito das actividades com vista à discussão do processo da Ordem das/dos Assistentes Sociais.

Duranteeste período, tivemos alguns colegas (inclusive da presidente daAPSS) que se foram mantendo proactivos, procurando inscrever o tema na agenda mediática (na imprensa) aonde foram publicados (pelomenos) dois (muito bons) artigos de opinião.

No mês de Setembro irão reiniciar-se os trabalhos parlamentares, contudo, tenho a percepção que a mobilização da classe à voltadeste projecto é (praticamente) inexistente. Que plano? Existirá porventura algum plano com vista à execução de acções queprocurem implicar e envolver os profissionais com vista à suaafirmação e a dar visibilidade aquele que é tido como o actual  projecto mais ambicionado e querido para a esmagadora maioria das/dos Assistentes Sociais.

Bem, a criação da OAS é (muito) importante para a classe das/dos Assistentes Socais, mas, não é, não será certamente o seu único objectivo. Conseguir o alargamento da intervenção do serviço social em mais instituições e aumentar/reforçar o nº de vagas deAssistentes Sociais naquelas em que o serviço se encontra já representado (aliás não será este o objectivo dos demais dirigentes que representam as suas classes profissionais?). Contudo,o “marasmo” continua entre os profissionais do serviço social, econtinuamos a ficar surpreendidos com o sucessos e conquistas asoutras áreas profissionais. Refiro me por exemplo, às classesprofissionais dos psicólogos, dos nutricionais que “não perdemtempo”, sendo, recentemente, anunciado na imprensa, o reforço dosseus profissionais, prevendo se a integração de mais 40 profissionais (de cada uma destas áreas), no âmbito dos cuidados desaúde primários (Centro de Saúde).

Mas,“estarão os Assistentes Sociais a dormir”?

Pois, sabemos da insuficiência de recursos humanos nesta área (e diga-se também em outras, desde a segurança social à justiça…,instituições que estão a substituir os assistentes sociais (lic. e mestres em Serviço Social) por profissionais de todas as áreas, situação que está a por em risco o processo de cuidados e de“empoderamento” das pessoas e famílias.  Ou será que estamos apenas a delegar o problem nos diversos executivos políticos e poderes instituídos?… Naturalmente queas terão e muito. Mas, o problema também está na nossa falta de estratégia de comunicação acção.

Quantos assistentes sociais continuam a sacrificar as suas vidas pessoais, a sua saúde, e família com vista a conseguir satisfazer os inúmeros pedidos e solicitações dos  públicos que atende, e dos seus dirigentes? Tantos e tantas vezes emaranhados em tanta e tanta burocracia alguma que pouco ou nada contribui para aumentar eficiência e eficácia nos serviços, criando, muita vezes, obstáculos à sua acção técnica.

E,há sempre quem diga, mas, quem as/os manda permanecer mais tempo noserviço? Ao que poderemos rápida e facilmente responder: são aspessoas e as suas urgentes vulnerabilidades.

É fácil falar, quem não tiver casos/situações urgentes no serviçoem que exerce a sua actividade profissional que seja a/o1ª/º a fazer a sua critica e repreensão?

Mas, a verdade, e como vulgarmente se diz, “isto não é vida para ninguém”, pois por um lado estamos a exigir demais às/aos profissionais em exercício e, por outro lado, não estamos conseguir integrar aqueles colegas recém formados (lic. e mestres em Serviço Social), a quem temos e queremos muito ensinar, ou melhor, transmitiro nosso saber teórico-prático,  e com os quais estou certa que temos muito a aprender, num processo de relação empática e departilha, sendo elementos fundamentais para  ajudar a revigorar algumas equipas (cujos profissionais já se situam em faixas etárias avançadas), no âmbito dos serviços públicos e não só.

Permitam-meque aqui cite Hannah Arentd, autorade leitura obrigatória para académicos e profissionais das áreas da comunicação: segundo H. Arentd, a realidade constitui-se na esfera pública, e para se ser real é preciso aparecer; afirmandoainda que a visibilidade, a pluralidade e a sociabilidade são características essenciais da vida coletiva.

Vivemos, portanto, num tempo em que se perspectiva como realmente importante que a classe dos assistentes sociais se façam visíveis e presentes no espaço público.

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Publicado por Irene Ferreira

Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior deServiço Social do Porto (ISSSP) e frequentou a licenciatura em Ciências da Educação daFaculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade do Porto. É mestre em “Estudos Sobre as Mulheres”, pela UAb - Universidade Aberta, Lisboa, frequência do curso de doutoramento, na área das Ciências da Comunicação. Profissionalmente,  Técnica de Reinserção Social/Assistente Social.

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