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Ó Lage, não inventes!

Ponto prévio:

Gosto de ti, que fique claro.

(Perdoa-me tratar-te por ‘tu’. Não é  falta de respeito, acredita, só que torna as coisas mais simples. Como tu gostas)

Acho que és o treinador certo para o Benfica. E não o digo porque foste campeão a época passada. Não. Acho que és uma ‘pedrada no charco’ no ‘futebolzinho’ português. Gosto do teu discurso ‘desempoeirado’, sem clichés e lugares-comuns.

E gosto da tua ousadia.

Mas ontem, Bruno, a coisa não correu bem.

E não correu bem, porque inventaste. Já o tinhas feito a época passada com o Galatasaray, com êxito. Mas, desta vez, não deu certo.

E inventaste em várias linhas.

Sabes melhor do que eu que, numa competição como a Liga dos Campeões, é fundamental ganhar os jogos em ‘casa’. Uma permissa ainda mais evidente quando inserido num grupo teoricamente muito equilibrado, como é o caso deste Grupo G, com Zenit, Lyon e Leipzig.

Assim sendo, era fundamental começar a ganhar frente aos alemães. São uma equipa boa e difícil, mas não são assim tão superiores ao Benfica. É só a minha opinião. Vale o que vale.

O Tomás Tavares fez uma bela exibição tendo em conta o contexto. Temos jogador. Mas o Benfica perdeu profundidade no lado direito e isso fez falta à dinâmica da equipa. Por outro lado, com o lado direito entregue ao ‘puto’ Tomás, Pizzi também não rendeu o que é habitual e a equipa sentiu falta dele. Esta terá sido a primeira ‘invenção’.

Não percebi o Cervi em vez do Rafa. O argentino está com falta de ritmo e, se calhar, até com falta de confiança. Além disso, o Rafa agita a equipa, provoca faltas. Eu sei, o Cervi até pode dar mais garantias defensivas, mas no ataque foi ‘zero’ e falhou um golo quase feito. Segunda ‘invenção’.

Se querias jogar só com um ponta-de-lança ( e essa até acho que foi uma boa estratégia) devias ter optado pelo Seferovic em detrimento do Raúl de Tomás. Porquê? Porque o suiço dá mais profundidade e o espanhol está, claramente, obcecado pelo golo e com isso perde discernimento, clarividência. Terceira ‘invenção’.

Estes são os pormenores. É óbvio que, se o Benfica tivesse ganho, não estaríamos aqui a teorizar sobre as tuas escolhas, mas a vida é mesmo assim.

No geral, o jogo até foi mais ou menos equilibrado, mas ficou sempre a sensação que os alemães eram mais contundentes. E foram-no, de facto. Em muitos momentos do jogo senti a ‘nossa’ equipa muito mole. Parecia que não tinham pedalada para a ‘teia’ montada pelo Leipzig. Parecia sempre que eles tinham um jogador a mais naquele meio campo. Ao Taarabt será preciso refrear-lhe os ímpetos. O marroquino tem uma óptima visão de jogo e faz passes magistrais. Quando corre bem, é fantástico. Mas ele arrisca demais e, quando os passes correm mal, expõe a equipa a contra-ataques do adversário que podem ser fatais porque somos apanhados em contra-pé. Mas isto sou só eu a teorizar, não percebo nada de ‘bola’, sou um mero treinador de bancada.

Em suma, os primeiros 3 pontos já voaram. É o terceiro ano consecutivo que começamos a perder na Liga dos Campeões. Sabemos o que aconteceu nos anos anteriores… Oxalá a ‘cena’ não se repita. Estou apreensivo, admito.

Parece-me que falta sempre qualquer coisa a este Benfica, para ser o tão ambicionado ‘Benfica Europeu’.

Com o Leipzig, enquanto nós falhámos as oportunidades eles não deixaram fugir nenhuma. Quem não marca, sofre. Sempre ouvi dizer. E na ‘Prova dos Campeões’, não se podem falhar golos como os que falharam Pizzi e Cervi.

Dia 2 de  outubro vamos à Rússia defrontar o Zenit. E não podemos perder, sob pena do ‘fantasma’ do passado começar a pairar. Depois, dia 23, recebemos o Lyon. E ganhamos ou ganhamos. À terceira jornada, digo eu, temos de ter, pelo menos, 4 pontos. Senão…

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Publicado por Pedro Guináz

Este é um espaço dedicado ao futebol. De um adepto de bancada. Sem grandes teorias, sem pretensões e sem guerras inúteis.  De um fã de bons jogadores e do futebol jogado. Com paixão, mas sem clubismo. Um olhar simples sobre o 'futebolês'.

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