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“Não tapem o sol com a peneira”

Apesar de em vários meios de comunicação, surgir por diversas vezes, a informação de que o desemprego no nosso país, estaria abaixo dos 8%, sempre me apercebi, tal como muitas pessoas, minimamente atentas que esta história,  estaria mal contada. Numa noticia de hoje, li que um grupo de investigadores, analisou com mais profundidade, esta questão e concluíram ser outro, o verdadeiro valor percentual e diga-se bem mais realista. Mas é preciso que o governo e as empresas percebam que por mais estudos que sejam feitos, basta olhar com “olhos de ver” o que realmente se passa à nossa volta.

Vivemos actualmente uma vaga de estágios para jovens, pois  é preciso abrir portas, para que tenham acesso ao emprego e à tranquilidade necessária, para constituírem família e a vida, seguir o seu curso. Concordo em absoluto! As crianças de hoje, são os homens do amanhã. Naturalmente precisam de acreditar que há um futuro,   precisam de acreditar que há verdadeiramente uma luz cintilante no fundo do túnel. Quanto a isso, não há dúvida alguma e espero que encontrem os caminhos sonhados.

Porém, o fantasma do desemprego é bem mais complexo do que aparenta à primeira vista. Há muitos pontos que não são tidos em conta e deveriam (embora que neste estudo, alguns deles já o tenham sido).

Ora vejamos: As ofertas de emprego a que uma pessoa, por exemplo com 36/40/50 anos concorra, é preterida sempre(ou quase sempre) por jovens na casa dos 20. É comum as pessoas, em conversas casuais dizerem a dura verdade: a partir dos 35 anos, torna-se cada vez mais difícil arranjar trabalho. As próprias ofertas de emprego, muitas delas,  nem sequer contemplam essa idade. Já sabemos que não se deve generalizar, nem é minha intenção aqui fazê-lo. Mas, nós portugueses/as somos inteligentes, por isso, digo e repito: Não tapem o sol com a peneira. Não nos digam que o desemprego está em níveis mínimos e que o poder de compra está a melhorar. Não é verdade. Não é assim tão linear.

Quando falamos em desemprego não nos podemos esquecer, entre muitos outros pontos: das pessoas que frequentam cursos, dados pelos centros de emprego e enquanto os cursos decorrem, essas mesmas pessoas, saem momentaneamente das listas de desemprego;  não nos podemos esquecer das pessoas que trabalham em part-time;  não nos podemos esquecer da assustadora precariedade de muitos “empregos”; não nos podemos esquecer das pessoas que trabalham em empregos temporários/sazonais;  não nos podemos esquecer das pessoas, que são excluídas das listas de desemprego, porque supostamente não responderam a cartas de aviso,  que nem sempre chegam às suas caixas de correio; não nos podemos esquecer das pessoas que emigraram, das que desistiram, das que estão desesperadas e dependem já de ajudas e muitas vezes não as têm. E depois o fantasma arrasta com ele as depressões, as ansiedades, os ataques de pânico, o aumento de suicídios, o desespero, sendo que nenhum destes males é colmatado.  Porque para os que são velhos demais para trabalhar, embora, novos demais para a reforma, não há luz cintilante no fundo do túnel…

Sofia Teixeira

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