in

Não sejas a ovelha negra do rebanho e fica em casa

Vivo numa pequena vila, por norma pacífica, sem grandes confusões, onde quase todas as pessoas se conhecem, onde quase todos são primos uns dos outros.

Relações de proximidade e confiança que se construíram com o tempo. Nesta grande família de vizinhança verifica-se uma maior dificuldade de cumprimento das regras e de manter o distanciamento social. Não é por não se gostar e não se querer proteger os outros, mas por existir confiança e se acreditar que a outra pessoa é saudável e não me colocaria em perigo. Inconsciências que se têm de combater com a tentativa de informar e alertar para os perigos. 

Sei bem que é difícil não trocar três dedos de conversa, não ir tomar um cafézinho e o pequeno-almoço fora. Não levar as crianças (impacientes) ao parque e não sentar ao sol no banco de madeira a ler um livro, em frente à paragem a ver quem vai e quem vem. Mas tem de ser. 

O ter de ser é difícil de aceitar, mas faça-o. Por si, por mim, por todos aqueles que queriam estar junto da família e em casa e não podem porque estão na linha da frente, a enfrentar o bicho. 

Ter a hipótese de ficar em casa é um luxo. Uma forma de proteção e uma forma tão simples de mostrar compaixão pelo vizinho, pelo próximo. 

Por isso, não vá à mercearia se não precisa mesmo, porque a pessoa que o atende, está ali todos os dias por si, para garantir que não lhe falta nada, mas a sacrificar a vida. 

Não vá à farmácia só para ir buscar o creme para as mãos. As senhoras que estão atrás do balcão – são simpáticas eu sei – mas também elas estão a correr perigo, e são heroínas desta batalha. 

Não faça encomendas desnecessárias. Quem as entrega também é merecedor de um aplauso.

Não vá passear e apanhar sol só porque está bom tempo e porque lhe apetece, porque nos hospitais pode já não haver espaço para si. 

Todos os dias, a toda a hora, há gente que arriscou e que ocupa uma cama e pode já não voltar a casa. 

Aqueles que hoje lhe pedem para ficar em casa são aqueles que querem o seu bem, e que o podem salvar. 

Mas, se continuarem a existir ovelhas negras neste rebanho, acreditem que nem o pastor se salva

Também gostaria de publicar o seu artigo de opinião no nosso site? Clique aqui.

Vote nesta opinião

Publicado por Margarida

Gosto de opinar sobre os mais diversos assuntos da atualidade. Este será o espaço onde darei o meu ponto de vista sobre o comportamento da sociedade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tocam as Sirenes a lembrar o Tempo de voltar para Casa

Como será dar um abraço no pós-covid?