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Mundo On e Off line

Mundo On e Off line

Bip bip. O telefone toca. Mensagem recebida.

“Zé, tá um lindo brutal de sol, bora até 1 esplanada beber 1 café? A Cláudia e o Miguel também vão. Até já!”

Não estavam juntos à mais de dois meses. Amigos de longa data, uma geração que pagava cada mensagem enviada e que à conta disso, aprendeu a abreviar para poupar a mesada.

Têm dias stressantes durante a semana, pouco tempo disponível para que consigam combinar uma ida ao café no fim-de-semana. Parece que há sempre tanto que fazer hoje em dia.

Sorrisos largos, abraços e palmadas nas costas. O sol está realmente aconchegante apesar do Outono que já é ilustrativo pelas folhas amareladas que caem das árvores, a cada sopro de vento.

Pedem os cafés. Pedem também a password da internet do estabelecimento. Hoje em dia não poupam nas mensagens que enviam, mas tem que poupar os dados móveis. Falam durante 5 minutos sobre as rotinas. De repente, surge aquele pequeno silêncio. Um deles recebe uma notificação no telemóvel que está em cima da mesa, ao lado do café acabado de servir.

Abre a notificação. Estende-se a a vontade de espreitar as “novidades” de outros amigos que não se juntaram naquela esplanada daquele Domingo solarengo. Fica um silêncio mais demorado no ar. Cada um acaba por espreitar só por um momento as suas notificações. Num mundo à sua escolha, olhos para baixo, uns riem-se baixinho, outros tem o sobrolho levantado.

Parece que existe sempre algo mais aliciante fora das quatro paredes. Não é isto constrangedor?

Perdem-se no meio desta espreitadela ao ecrã. Os sorrisos sublimes, o assunto simples, o olhar brilhante de alguém que precisava de desabafar algo muito importante, ficaram esquecidos e apagados à conta de ninguém estar atento.

Um momento de bom senso desce sobre aquela mesa e alguém dos quatro toma conta que todos se encontram meio dispersos no mundo online.

– “Malta, vamos lá largar os telemóveis, não queremos ser a vergonha para o Einstein, e perdermos a interação humana em prole da tecnologia!”

– Tens razão Zé.

Momentaneamente um sorriso de esperança naquele grupo de amigos, prontos para regressarem ao mundo offline.

Os assuntos vão surgindo. As características de cada um voltam a sobressair. O amigo que é mais falador, o que é mais cómico, aquele que só se ri. O amigo que só observa e absorve o máximo de informação possível. Até ao momento que surge uma questão, que antigamente seria respondida pelo tipo com uma vasta cultura geral.

– … ainda à dias falei sobre isso. Deixa lá ver aqui na net. Ficamos já esclarecidos.

É brilhante estarmos tão perto do mundo, tão perto de tanto conhecimento. Não será, no entanto, assustador, perder muitas vezes a interação humana?

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