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Meu caro Sérgio Conceição, ter ‘mau perder’ pode ser uma coisa muito feia

Sabes, Sérgio, quando eras jogador, eu era teu fã. A sério. 

Sendo eu do Benfica – como já assumi por aqui – talvez aches estranha esta minha confissão. 

Mas é verdade. Mesmo quando jogavas no FC Porto e eras ‘mauzinho’ para o meu clube, eu admirava-te. A garra. A técnica. A força. 

Cerravas os dentes e lá ias tu pelo corredor direito. Pleno de força. Ás vezes só paravas dentro da baliza adversária. 

Gostava da tua atitude e até me divertia com aquele teu jeito de ‘bad boy’. 

Quando o Pinto da Costa te chamou para treinares o FC Porto, achava que terias uma tarefa complicada. O FC Porto estava na ‘mó de baixo’ e duvidei que fosses o homem certo para o lugar.

Puro engano. Pegaste num punhado de jogadores que estavam proscritos e outros que estavam emprestados e fizeste uma equipa forte, combativa, com raça. Ao teu estilo, portanto. 

Rendi-me ao teu trabalho, a sério. E pensei: ‘este gajo é treinador como foi jogador. Tem garra e vai dar que falar’. 

Enquanto as coisas te corriam bem, até as tuas conferências de imprensa eram positivas. Gostava de te ouvir falar do futebol jogado, das tácticas, das incidências dos jogos. Até admirava a tua frontalidade, esse teu jeito de ‘chamar os bois pelos nomes’. Percebes!?

Até que começaste a descambar. Os maus resultados, as confrontações dos jornalistas, as fracas exibições da equipa… 

As coisas começaram a correr-te menos bem e tu perdeste a postura. Passaste a ser demasiado agressivo, a irritação passou a dominar o teu discurso. 

Vieram as derrotas e os empates e a culpa passou a ser dos árbitros e dos sistema. Não tua, nem dos jogadores. Não. A culpa é dos outros. 

Agora, as tuas conferências de imprensa são feitas de mau humor e de críticas em todas as direcções.

Sabes, Sérgio, honestamente, pouco me importa se deste ou não um soco ao treinador do Belenenses. Se deste e se isso ficar provado, deves ser punido. Ponto. 

Eu sei, não gostas de perder. Eu também não. 

Fico danado quando o meu filho me ganha a jogar às cartas, por exemplo. 

Mas não grito com ele. Nem culpo a qualidade do baralho de cartas. Também não desato a ofender o vizinho de cima. 

Resigno-me e tento estar mais atento da próxima vez. 

É que, mau perder é feio.

Tu, quando a tua equipa não ganha ou empata, devias olhar para dentro. É que o teu FCP anda um bocadinho fraquito. Não achas!?

Ao disparares em todas as direcções crias mau ambiente e retiras a responsabilidade aos jogadores, a ti e à direcção do teu clube. 

Quando ‘sacodes a água do capote’, estás a ofender e a colocar em causa o trabalho de outros profissionais.  

Eu sei, às vezes os árbitros irritam. Chegam a ser revoltantes algumas decisões tomadas pelos ‘senhores do apito’. 

Mas, acharás tu que só o teu FCP é prejudicado!? Todos os chamados ‘grandes’ são prejudicados e beneficiados ao longo de uma época inteira. Sempre foi assim e sempre será. Não te iludas.

A tua atitude de ‘mau perder’ só te faz é mal. Ainda arranjas algum problema de saúde à conta disso. Andas zangado com o mundo e isso não é bom. Relaxa. 

Até porque só estás a fazer mal ao teu FCP. A imagem do clube fica ‘queimada’ com estas tuas ‘fúrias’. 

A vida é feita de fases. Umas boas, outras nem tanto. Dar-me-ás razão nesta constatação óbvia.

Deixa-me dizer-te que no futebol, tal como na vida, acontece o mesmo. Já lá vai o tempo em que o FC Porto dominava. Foi um ciclo. Espectacular, diga-se. Até a mim, Benfiquista, dava gozo ver a equipa de José Mourinho e, mais tarde, a de André Vilas-Boas. 

À conta dessas equipas, fiquei muitas vezes com ‘azia’. O meu Benfica levou muitos ‘banhos de bola’ desses FCP. É assim vida. E o futebol. Ganhamos e perdemos. 

Por isso, Sérgio, tem calma. E, prometo, vou torcer por ti e pelo FCP nas competições europeias.

Já agora, Feliz Natal.

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Publicado por Pedro Guináz

Este é um espaço dedicado ao futebol. De um adepto de bancada. Sem grandes teorias, sem pretensões e sem guerras inúteis.  De um fã de bons jogadores e do futebol jogado. Com paixão, mas sem clubismo. Um olhar simples sobre o 'futebolês'.

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