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Mãe de menina assassinada no Seixal revoltada com caso Valentina. “Agora foi ela. Quem será a próxima?!”

Sandra Cristina perdeu a sua filha, Lara, de apenas dois anos, e a mãe, Helena, de 56 anos, a 4 de fevereiro de 2019, num crime que chocou o país.

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O ex-companheiro de Sandra assassinou a sogra e fugiu com a filha. Pedro Henriques, o homicida do Seixal, acabou por asfixiar a menina e deixou o corpo na bagageira do carro. Acabou depois também com a sua vida.

Depois de ficar conhecido os contornos do homicidio de Valentina, a menina de Peniche que sofreu às mãos do pai e da madrasta e que acabou por morrer após 13 horas de sofrimento, Sandra Cristina abriu o coração e recordou tudo aquilo que viveu.

Num longo texto partilhado no Facebook, a mulher questiona a atuação das autoridades e da justiça.

Leia aqui:

“Valentina, mais uma menina indefesa a quem o próprio progenitor lhe tirou o direito à vida. Pergunto porquê?!Se não existe amor, é preferível a indiferença; se não nutre compaixão, que siga a vida noutra direção.

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Mas o problema nunca é a criança. Ela é apenas o meio utilizado para atingir a mãe, seja por questões subjacentes a orgulho ferido, questões monetárias, problemas de ego ou falta de caráter oprimido.Mas onde está o cerne do problema?Este reside na incompetência das nossas autoridades e justiça que é conivente e permissiva.

Antigamente a lei ditava que a mãe tinha mais direitos que o pai e, atualmente, a lei só se preocupa em salvaguardar os direitos do pai. Quantas mais crianças serão necessárias morrer para perceberem que não é o pai nem a mãe que interessam, mas sim a criança, o seu bem estar e segurança?! Enquanto as autoridades continuarem a negar ajuda, descartarem o seu poder de intervenção e não orientarem; enquanto os juízes tomarem decisões baseadas nos direitos do pai, desvalorizando o bem estar da criança, mais óbitos vão suceder.

O incrível é que uma família que deseje adotar uma criança, leva anos à espera. Passa por uma desgastante avaliação psicológica e sócio-economica. Depois a assistente social analisa a relação que começam a estabelecer com a criança. Tanta burocracia para quem somente pretende dar amor e uma família. Enquanto isso, a criança vai crescendo e criando mecanismos de defesa, pois ela na realidade está sozinha no mundo, sem um porto de abrigo.

O nosso sistema é baseado na tortura. Excesso de zelo para quem quer adotar e indiferença para quem somente batalha em proteger os seus filhos. Façam testes psicológicos aos progenitores, visitem as suas habitações e locais de trabalho, analisem a interação das crianças com os pais e só depois tomem uma decisão. Foi nisso que me debati e fui ignorada. Agora foi a Valentina. Quem será a próxima?!”

Valentina, mais uma menina indefesa a quem o próprio progenitor lhe tirou o direito à vida. Pergunto porquê?!Se não…

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Publiée par Sandra Cristina sur Dimanche 10 mai 2020

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Publicado por João Carlos

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