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João Cristiano Félix Ronaldo. Entre Turim e Moscovo, fez-se História em português

O leitor não está a ver mal, garanto.

Também não se trata de um erro de escrita da minha parte.

O nome é mesmo este: João Cristiano Félix Ronaldo.

Também não se trata de um novo craque do futebol. Não.

Na verdade, são dois e misturam-se.

Da última noite do futebol europeu, destacam-se os dois portugueses. E que orgulho!

Nos relvados deu-se uma espécie de ‘passagem de testemunho’. De Ronaldo para Félix.

Está a fazer-se História com portugueses por protagonistas.

No dia em que Cristiano Ronaldo celebrava 16 anos da sua estreia na Liga dos Campeões, o jogador assinalou a data com mais um golo, como não podia deixar de ser. E vão 127 na Champions, o que faz dele o recordista da prova.

A 1 de outubro de 2003, em Estugarda, CR7 jogou o seu primeiro jogo na Liga milionária. Com a camisola do Manchester United, perdeu 2-1.

Em Turim, 16 anos depois, mais uma exibição ao seu estilo: um golo e uma assistência para golo, na vitória da Juventus sobre o Bayer Leverkusen por 3-0.

E bateu mais um recorde: é o jogador com mais vitórias – 102 – na Champions League, ultrapassando Iker casillas.

Cristiano – ele já o assumiu – está na recta final de uma história feita de êxitos, recordes e magia.

E enquanto se espera o ‘adeus’, aparece aquele que se apresenta como o herdeiro legítimo do craque da Madeira.

Enquanto Cristiano celebrava os 16 anos de Champions, João Félix marcava o seu primeiro golo na prova. Profético, diria.

Além do golo, foi Félix quem começou a jogada do segundo golo com um passe só ao alcance dos predestinados. E teve toda a influência na vitória do Atlético de Madrid perante o Lokomotiv de Moscovo por 2-0.

E Félix – seguindo os passos de Cristiano – também já começa a bater recordes. Com 19 anos, tornou-se o jogador mais novo a marcar um golo na Liga dos campeões com a camisola do Atlético de Madrid. Uma marca que pertencia a Kun Aguero, na altura com 20 anos, e que datava de 2008.

Enfim, entre Turim e Moscovo fez-se História em português.

Por enquanto, ainda vão coabitar por esses palcos europeus e na Selecção Portuguesa. Mas a passagem de testemunho está a fazer-se aos olhos de todos.

Para mim, é um privilégio assistir a estes tempos.

Não vi Eusébio, nem Coluna, nem Simões, nem Torres…

Mas vejo Cristiano e Félix. Como já tinha visto Figo e Rui Costa. Magia em português.

Eu sei, o futebol não é a coisa mais importante do mundo.

Não é, de facto. Nem eu sou fanático da bola.

Mas, sejamos justos. Cristiano Ronaldo tem levado o nome de Portugal a todo o mundo.

A mim, causa-me arrepios cada vez que vejo estádios inteiros rendidos ao talento do português.

Os golos que marca, os prémios que conquista, sinto-os como um bocadinho meus também. E isso é orgulho. Só isso. Sem fanatismos ou fundamentalismos ou outros ‘ismos’.

Com o andar dos anos, perguntava-me: E depois de Ronaldo? E experimentava um certo sentimento de orfandade.

E eis que surge Félix. João Félix.

Para que a magia não acabe. E nos possamos orgulhar.

Em português.

Sem ‘ismos’, sem tretas.

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Publicado por Pedro Guináz

Este é um espaço dedicado ao futebol. De um adepto de bancada. Sem grandes teorias, sem pretensões e sem guerras inúteis.  De um fã de bons jogadores e do futebol jogado. Com paixão, mas sem clubismo. Um olhar simples sobre o 'futebolês'.

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