in

«Ensinam, quando não fazem greve»?!

No jornal Expresso de 13 de Julho de 2019, Marcos Cruz, responsável pela secção de Passatempos, nomeadamente na sugestão de Palavras cruzadas nº 2282, fez esta “proeza”: conseguiu encontrar uma definição demagógica de PROFESSOR, contribuindo para a politização tendenciosa da população portuguesa que adquire semanalmente o jornal, à procura de informação sobre o estado do mundo, que é para isso que serve a imprensa.

De facto, ao resolver as palavras cruzadas, deparei-me com o seguinte: para definir que palavra de onze letras deveria ser colocada na Horizontal 1, o jornal Expresso utilizou e admitiu a expressão “ensinam quando não estão em greve”. A solução encontrada e que deixei para o fim do preenchimento de todas as quadrículas, pois não queria acreditar no que estava a ler, foi: “professores”.

Na verdade, a pessoa em questão (Marcos Cruz é um pseudónimo) que julgo ter fortes ligações ao jornal e, consequentemente, grandes responsabilidades, não mediu as consequências da sua “brincadeira” demagógica, ao tentar fazer humor com um acto cívico de uma classe trabalhadora que tem sido alvo de políticas desastrosas ao longo de décadas, em articulação com os sindicatos de professores, as greves têm sido marcadas e realizadas de forma responsável, surtindo o efeito desejado em muitas das reivindicações.

Assim, é imperioso registar que mesmo quando os professores (ou outra classe de trabalhadores) fazem greve, também estão a ensinar, ou seja, estão a dar uma lição de cidadania ao evidenciarem a coragem necessária para lutar pelos seus direitos, de forma organizada e legal.

As Palavras cruzadas nº 2282 na Revista do Expresso, edição 2437 de 13 de Julho de 2019 estão a gerar muita polémica e ainda bem. Afinal, esta história não vai ter um final feliz, porque os professores merecem respeito. Espero que a direcção do jornal aproveite a situação e explique a controvérsia, de algum modo ao seu alcance, de forma não tendenciosa nem demagógica (neutra), dialogando com os seus leitores, porque é assim o exercício da liberdade num estado democrático. E Portugal ainda é uma Democracia. Ficamos à espera.

Créditos da imagem: foto de minha autoria tirada à página E | 104 depois de resolvidas as palavras cruzadas supracitadas.

publicidade

Também gostaria de publicar o seu artigo de opinião no nosso site? Clique aqui.

Vote nesta opinião

Publicado por Adília César

Educadora de infância e formadora no âmbito da Didáctica das Expressões Artísticas, sendo Mestre em Teatro e Educação. Publicou dois livros de poesia: “O que se ergue do fogo”(2016) e “Lugar-Corpo”(2017) e tem colaborações dispersas em revistas, magazines e poezines, nomeadamente: LÓGOS – Biblioteca do Tempo, Eufeme, Piolho, Estupida, Debaixo do Bulcão, Enfermaria 6 e Nova Águia, além de ensaios e artigos de opinião. É co-coordenadora do projecto literário “LÓGOS – Biblioteca do Tempo” e co-directora editorial da revista com o mesmo nome.

publicidade

Deixe uma resposta

publicidade

Sol volta, estás perdoado

A Ordem dos Assistentes Sociais é finalmente uma realidade em Portugal(05/07/19)