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Deixa lá, Cristiano. Que se lixe a Bola de Ouro!

Nunca vi Eusébio ou Pelé. Também não vi Johan Cruijff. Consegui ver Maradona, já na fase descendente. 

E, depois, vi-te a ti.

Que fique claro: acho o Lionel Messi um jogador fantástico. Consegue coisas geniais em campo. É mágico. Ponto.

Dito isto, prefiro-te a ti. Seres português é só um detalhe que não me tolhe o discernimento. 

Vem isto a propósito de mais uma Bola de Ouro. 

Não ganhaste, mas deixa lá! Não te apoquentes. Que diferença faz na tua carreira!? Nenhuma. 

Tal como no ano passado, foi injusto não a teres conquistado. Mas, mais injusto ainda, foi o Messi ter vencido. Se tu não a mereces, ele também não. 

Vejamos. 

No ano passado, foi escandaloso. Depois de teres conquistado a Liga dos Campeões com o Real Madrid e a Liga das Nações com a Selecção Portuguesa, ainda te mudas para a Juventus e ‘pegas de estaca’ como se a ‘Velha Senhora’ fosse a tua casa há anos. 

Mas nada disto serviu para convencer quem vota. Ou, melhor dito, quem decide o vencedor da Bola de Ouro. 

Mas já passou. 

Este ano, nova injustiça. A dobrar diria. 

Se tu não mereces a Bola de Ouro, o Messi também não fez nada de extraordinário para a vencer. Portanto, dupla injustiça. 

O teu adversário argentino sempre foi levado ao colo. Embora seja, repito, um extraordinário jogador. Também tu és.

Então, o que é que vos distingue. Eu tenho uma opinião. Pouco original, eu sei.

É a tua postura que te trai. É a tua alegada arrogância. As instâncias futebolísticas não gostam disso. Gostam de tipos ‘certinhos’, que não fazem ondas. E mesmo quando fazem, tudo lhes é perdoado. Veja-se o que aconteceu na Copa América, quando o teu rival argentino foi expulso e criticou tudo e todos pelas derrotas da sua selecção e pelas suas péssimas exibições. Se fosses tu, serias ‘crucificado’.

Adiante.

A Bola de Ouro que o Messi acabou de ganhar premiou o quê? O campeonato espanhol? É que, foi apenas isso que ele ganhou!!!

Marcou golos? Sim, marcou, no aconchego do Barcelona. Também tu marcaste. Foste um dos melhores marcadores do ‘calcio’, logo no primeiro ano. 

Talvez a Bola de Ouro, afinal, fosse melhor entregue a Virgil van Dijk, o holandês do Liverpool. Ao menos ele foi campeão em Inglaterra e venceu a Liga dos Campeões.  

Percebes o meu raciocínio?

Voltemos ao início.

Como disse, não tinha vivido para ver os grandes ‘monstros’ do futebol. Aqueles jogadores que conquistam o título de ‘lendas’. Um estatuto que tu estás destinado a ter. 

Lembro-me de ouvir o meu pai a falar deles com um entusiasmo contagiante. Sobretudo, de Eusébio. E lembro-me de pensar que jamais teria possibilidade de ver um jogador daquele calibre.

Só que, como disse, depois vieste tu. 

Tive a sorte de viver numa época na qual pude (e ainda posso) desfrutar do teu futebol. O que fizeste em Manchester e em Madrid foi inesquecível. O que, apesar de tudo, ainda fazes na Juventus e na ‘nossa’ selecção é digno de registo.

Agradeço-te por isso. Enquanto português, enquanto amante de futebol. 

Nos últimos 15 anos, colocaste Portugal no mapa. E, mesmo assim, há quem te odeie… Deixa lá. Serás sempre recordado como o Melhor Futebolista português de todos os tempos.

Houve Eusébio, houve Figo, Rui Costa, Paulo Futre… Mas tu, tu fizeste, de facto, a diferença. 

Numa altura em que, talvez, já comeces a pensar no fim (é inevitável) rendo-me ao teu talento, à tua capacidade de superação e ao facto de estares sempre a impor desafios a ti próprio. 

Já não és o CR7 de outros tempos. E depois!? Até tu sabes isso. Com tantos anos e tanta pancada nas pernas, estranho seria se ainda corresses como se tivesses 20 anos.

Podias ter ido para os Estados Unidos jogar ‘soccer’ numa Liga menor. Serias um ‘deus’ por lá. Até podias ter ido para as arábias dos ‘petrodólares’ onde te tornarias rei e senhor. Mas não. Escolheste ir para Itália, para um dos melhores clubes da actualidade e acabas de ser considerado o Melhor Jogador da época na Liga italiana. É essa a tua diferença do argentino do Barcelona. 

Por isso, Cristiano, que se lixe a Bola de Ouro. De ouro és tu. 

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Publicado por Pedro Guináz

Este é um espaço dedicado ao futebol. De um adepto de bancada. Sem grandes teorias, sem pretensões e sem guerras inúteis.  De um fã de bons jogadores e do futebol jogado. Com paixão, mas sem clubismo. Um olhar simples sobre o 'futebolês'.

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