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Da proclamação da “República Europeia” – Reflexão

Países envergonhados dos seus “Feitos das Guerras” como Nações querem impor a Países Europeus a Vergonha por serem Estados-Nação

Grupos de artistas de várias cidades europeias, que vão de Salónica a Dublim e de Helsínquia ao Porto, proclamaram simbolicamente a “República Europeia”, a 10.11.2018 às 16 horas….

…Muitos teatros e outras instituições participaram no evento em mais de 150 cidades europeias onde foi lido um manifesto. O projeto inclui eventos, entrevistas, debates e intervenções artísticas; nele se envolvem mais de 100 instituições e organizações…

…Querem abrir um debate sobre a EU que vá para além do discurso público atual e que ponha em questão e negue a ainda existente “soberania (residual) dos estados-nação”. Aqui está em jogo também uma Alemanha dos “envergonhados” da Nação a querer moldar a ideologia da Europa!

Dão a impressão de terem sido danificados pela segunda grande guerra ao partirem da experiência da Alemanha e da Áustria e em vez de assumirem a realidade da sua destruição passaram à ideologização da própria situação (envergonhados da nacionalidade) pensando que o falhanço das suas nações pode ser agora reparado com a luta contra identidades baseadas em Estado-nação. O pior “nacionalismo” encontra-se no querer (Frankfurter Schule) levar todos os europeus a pensar que a Europa e a sua cultura é a responsável pelo que os países iniciadores das duas guerras mundiais fizeram! Este enredo é usado pela ideologia marxista e aproveitada pelo neoliberalismo para prosseguir a velha luta contra as bases da cultura ocidental, luta esta que assenta no combate a Deus, pátria e família, simbolizados no conceito de nação.

O manifesto tem ideias aproveitáveis, mas, na sua intenção intrínseca, esconde um espírito revolucionário nostálgico a actuar em palco. É mais uma iniciativa que indirectamente serve o burocratismo à la troika (soviética) que, por outro lado, se aproveita de um globalismo sem raízes nem rosto e da plutocracia. Mais uma luta pela activação do espírito revolucionário e pela conquista do poder nas instituições da EU, tudo isto, em nome de uma democracia do abstracto (cifrada num regionalismo reduzido a números entre 8 e 15 milhões de cidadãos por grupo (1), certamente a substituir as nações). Além dos interesses que a iniciativa alberga, tem a vantagem de fazer pensar e o risco de fomentar a moda da “maria vai com as outras”! De facto, “o que está em voga tem um poder extraordinário sobre o pensar das pessoas simples que tudo aceitam sem refletir nas consequências” dizia-me uma ilustre leitora portuguesa que conhece bem a onda que nos leva.

Numa EU em que alguns povos ainda não atingiram a consciência de nação (problema também de muitos Estados africanos!) quer-se acabar com as nações, com as nações de povos com uma unidade cultural; da constatação da evidência de a EU não dominar a crise e do facto de uma nação não poder controlar a EU não se pode concluir que a solução seria a abolição das nações.

Uma identidade de caracter internacional deve assentar num caracter orgânico, reconhecendo que todo o cidadão faz parte de um povo, de uma cultura constituída de identidades individuais, familiares, étnicas, nacionais. Como se pode ser sério ao querer-se, em nome de um cidadão abstracto, meramente indivíduo, acabar com os seus factores de identidade familiar, étnica, nacional e religiosa?…

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Publicado por António da Cunha Duarte Justo

Natural de Arouca, formado em Filosofia, Teologia, e Ciências da Educacao, casado com a pintora Carola Justo, 4 filhos, jornalista, (activi.profis. sindicalistas e políticas, cf. http://antonio-justo.eu). Autor e ex-chefe redator da revista Gemeinsam, publicou o livro de poesias “Nas pegadas da Poesia” na OxaláEditora, colaborador de várias revistas e jornais, é presidente da Associação Arcádia.

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Não é a vida que separa as pessoas. Mas sim estas cinco coisas.

Recentemente formada… mas nao empregada