Chega de polémicas ou começa agora o verdadeiro reality show do Parlamento?

Imagine um país onde 43% dos deputados de um só partido têm mais experiência em polémicas do que em propostas legislativas. Um país onde o Parlamento se parece cada vez mais com o elenco de um reality show de domingo à noite. Agora pare de imaginar. Bem-vindo a Portugal, versão 2025.

Dos 58 deputados eleitos pelo Chega, 25 já se cruzaram com a Justiça ou estiveram envolvidos em polémicas. Vinte e cinco. É quase metade. Mais do que os jogadores titulares de uma equipa de futebol e os suplentes juntos. E antes que me acusem de exagero, não fui eu quem inventou os números — foi a imprensa. E, como dizem os próprios, “se a imprensa o diz, é porque é verdade”… certo?

Por um lado, podemos ver isto como um sinal de coragem. Afinal, não é qualquer um que enfrenta investigações e ainda assim conquista assentos no Parlamento. É preciso um tipo de audácia que falta a muitos políticos cinzentos e aborrecidos. Estes deputados, goste-se ou não, quebram a rotina. Trazem ação, drama, emoção. E, como se não bastasse, fazem-nos questionar se os antecedentes judiciais passaram a ser um requisito ou apenas um bónus no currículo político.

Mas há o outro lado. O lado em que começamos a perguntar se a representação democrática está a descambar numa comédia de erros. Ou melhor, numa tragicomédia. Como é possível que tantos representantes do povo carreguem às costas mais investigações que propostas aprovadas? Isto devia preocupar qualquer um que ainda acredita minimamente na seriedade das instituições.

Claro, alguém poderá dizer que envolvimento em polémicas não é sinónimo de culpa. E é verdade. Mas há uma diferença entre “estar envolvido” e “ser reincidente”. E quando a reincidência passa a ser estatisticamente significativa, talvez seja hora de nos perguntarmos se estamos a premiar comportamentos ou a ignorar sinais.

Talvez estejamos a viver o início de um novo género político: o “politi-show”. Cadeiras no Parlamento que valem mais por audiências que por competências. Deputados que trocam o decoro por memes. E cidadãos que, exaustos dos partidos tradicionais, trocam a esperança por indignação — e o voto por protesto.

A pergunta que fica é: até quando vamos tolerar esta inversão de valores? Será que o Parlamento deve espelhar o país — ou liderar pelo exemplo?

Ou será que, no fundo, já nos rendemos à ideia de que “são todos iguais” e passámos a votar apenas nos que berram mais alto?

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E tu, achas aceitável ter deputados envolvidos em polémicas judiciais?

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