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Celebro a vida e da bondade faço videira

“As palavras bondosas podem ser curtas e fáceis de dizer, mas o seu eco não tem fim” (Madre Teresa de Calcutá).

Hoje celebro-me. Porque a vida está em mim e me festeja. Porque a vida, nesta data específica, me faz sorrir ainda mais. Mesmo quando, por vezes, estou/fico triste. Pois sempre aprendi que “mais triste que um sorriso é a tristeza de não saber sorrir”. Eu, felizmente, sei e gosto de sorrir. E é com grande sorriso que comemoro o meu aniversário natalício. Sempre valorizei este dia por me ser especial, como valorizo e vibro sempre em cada Natal. Ele revigora-me porque faz-me lembrar e relembrar o melhor que a vida tem. Faz reforçar em mim essa necessidade que me provém. Ora a família, ora os amigos. Ora os alunos, demais gente que passa e fica em mim. Esses postigos humanos que se constaram e entraram: portilhas ou portadas que me abriram portas. Sejam elas as do coração, ou as do labor ou, ainda, as da razão. Que possam, ainda e doravante, abrir-se com terrena paixão e eterna emoção.

Felizmente sempre pude e continuarei a poder celebrar este dia peculiar com esses seres maravilhosos que amo. E mesmo esses amigos de longa data que realmente o são mas que pelas vicissitudes da vida, como outrora, já não estamos e já não estão, não deixo de os tornar espiritualmente presentes em mim neste dia. Pela grata Recordação. Pela fecunda Gratidão. Com eles – fossem da Primária à Secundária, fossem da I. Lapa, ou dos movimentos juvenis e eclesiais a que pertenci – e para eles agradeço todos estes anos e aniversários passados. Tantos e tantos que continuam a ser importantes para mim, e que os guardo interiormente mesmo não o revelando regularmente. Mesmo não o manifestando continuamente. Diz um provérbio árabe que “um homem não é nada se tem o coração vazio”. Eu afirmo que, só por isso, sou muito pela riqueza de tantos amigos e companheiros que já passaram por mim. Sobretudo, os que ficaram em mim. Outros tantos já perdi ou deixei que me perdessem. A todos esses, com quem já não desfruto de habitual companhia e sintonia mas que – enquanto autênticos amigos – comungo de singular empatia, o meu sincero perdão. Pela distância, pelo silêncio, por alguma indiferença. Perdão pela ausência, pelas faltas, pelas vezes que disse ‘não’. Nem sempre posso ter agido bem e com tom, mas nunca quis deixar de ser ou ter sido bom. Pois a bondade, mais do que um ideal pessoal, “é o único investimento que não vai à falência” (Thoreau). É, deste modo, um propósito que revigoro em mais um ano – neste que até se confina absolutamente com a minha hora de nascimento (20:20).

Passo quase diariamente por uma avenida de magnólias, tal qual colunata de uma ponta à outra, que entre janeiro e fevereiro ganha uma jovialidade e espetacularidade únicas. Elas abrem e florescem antes da primavera – sinal da mesma –, neste “meu” mês particular. Têm também a particularidade de dar primeiro o melhor que têm: a flor; depois de florirem e da flor cair é que ganham a folhagem. Ao passar, entretanto, por ela e contemplando a beleza desse aglomerado de árvores das grandes flores decidi, por isso, adotá-la como uma nova flor da minha eleição. Sempre presentes neste dia e altura do ano. E decidi, também, sob esse manto rosado-esbranquiçado, escrever-me. Gosto muito de escrever e, normalmente, escrevo sobre outros assuntos. Sobre outros e para os outros. Hoje, não quis deixar de escrever assim, igualmente para mim, olhando a vida que se renova neste Rubim, por dois suportes indispensáveis: a videira da bondade e a vinha do amor.

Enquanto escrevo, depois de um pequeno almoço especial com amada companhia, ouço um CD novo. Dou uma vista de olhos em alguns dos livros que gosto muito. Enquanto isso, o sol entra pela vidraça e agradeço a Deus pela dádiva da vida. E sou grato por aquilo em que me fui tornando, pelos ramos da bondade, já que a videira é imagem do conhecimento. Porventura, penso que não serei tão bom como gostaria naquilo que me preenche profissionalmente. Seja na vida jornalística, seja na vida docente. Todavia, estou certo, que o faço de alma desmedida, que me entrego com gosto e em jeito bondoso. Tenho em mim que “o bem que se praticou é o que fica e é por ele que a vida vale alguma coisa” (Rousseau). E nesta videira bondosa da vida o melhor dos seus troncos é, para mim, a família – de que sou rebento – e os Amigos de sempre e para sempre. Ou seja, são a minha árvore vital, as minhas magnólias. Os que me ajudam no culto de bem cultivar o meu tempo e tempos de vida. E nesta simbologia da videira, nada melhor do que envolvê-los a todos num gigante abraço, beber com eles e neles um frutado vinho monocasta ‘Syrah’ em solenes copos lilases e dedicar-lhes a seguinte prosa de amor, ao som da melhor música…

Que a energia do amor seja a alegria,
Que a ciência do amor seja a paciência,
Que a idade do amor seja a eternidade,
Que a proeza do amor seja a beleza,
Que a porfia do amor seja a cortesia,
Que a sapiência do amor seja a benevolência,
Que a espiritualidade do amor seja a profundidade.
Porque, sendo o amor um rochedo,
não tenhamos medo;
Porque, sendo o amor o pódio,
não alimentemos ódio;
Porque, sendo o amor o cume,
não nos atinja o ciúme.
Assim, seja o amor:
seja quem sempre nos defina;
por ele, verdadeiramente,
jamais alguém definha.
Onde haja real mudança,
o amor leve a esperança! (ARR).

Acabei de a fazer e a todos eles a dedico. Bem como aos que, pela liberdade, querem ser comigo bondade: desamarremo-nos de corações enjaulados e de espíritos amputados! Vem-me, ainda, à doce memória o motivo, afinal, desta minha escrita de hoje. Feita passado. E de sempre. Sentir-me vivo e nunca cativo, ativo nas palavras pelo dom que alguns me vão reconhecendo. Ainda me lembro, há uns anos, de um antigo reitor que tive me dizer que eu era “um místico” pelo meu ser no escrever; outros me chamavam de “poeta”. Bondades que se adentraram em mim e que não esqueço. Também graças a todos esses estímulos, que fizeram limar e aumentar este gosto, mantenho-me por aqui. E hoje, objetivamente, nestas linhas de palavras feitas linho, no melhor agradecimento a todos – esses e outros mais – que me gostam de ler e que são parte de mim no que escrevo. Termino, indo ao baú dum pensamento que criei há 20 anos: “O que conta não é aquilo que se possa escrever, mas aquilo que daí se possa viver!”. Obrigado e um enorme bem haja aos que são a minha vida e fazem parte dela! Com um bouquet de magnólias. Mesmo aos que, quiçá, menos merecerem. Já que “bondade é amar as pessoas mais do que elas merecem” (Joseph Joubert). Uma vida feliz, amorosa e boa para todos vós, ramos e ramificações desta imensa Videira!

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Publicado por André Rubim Rangel

"Tripeiro" de gema: cidade e clube. Licenciado em Teologia, com um curso profissional de “Comunicação, Marketing e Assessoria de Imprensa” e mestre em Ciências da Comunicação – Jornalismo. Tenho, como ‘paixões’: a vida, a família e os amigos, os presépios, o ténis, as viagens, o roxo e o lilás, as entrevistas, a fotografia, a escrita, a leitura, o cinema, os U2, os doces e boa comida, etc..

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Adeus, Bruno. Finalmente, vou ver-te vestido de vermelho!

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