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Bolota, Erva, Haxixe?

Ontem eu e o cara-metade resolvemos dar um passeio para os lados do Rossio, sobre o pretexto de irmos meter o nariz numas feirinhas de produtos regionais que por lá estavam.

Depois de termos constatado que a oferta era mais fraca relativamente ao ano passado, e aquilo que procurávamos não estava à venda, decidimos aproveitar e fazer uma caminhada até ao Terreiro do Paço.

Fizemos o percurso desde a Praça da Figueira até ao Terreiro, passando pela Rua Augusta, constatando que 99% das pessoas que estão nas esplanadas da restauração local são estrangeiros, e que 95% das pessoas que estão a servir esses estrangeiros são por sua vez também estrangeiros.

Questiono-me o que terá acontecido aos portugueses!?

Será que sem eu dar conta houve um fluxo migratório intenso destes para o interior do país de forma a combater a desertificação?

Mas mais preocupante que a falta de nativos, foi o facto de no percurso Praça da Figueira – Terreiro do Paço (que para quem não sabe não demora mais que 10 minutos a pé), ter sido abordado no mínimo 10 vezes por diferentes indivíduos a oferecerem-me a possibilidade de comprar droga.

Bolota, Erva, Haxixe, Coca, Pólen e todo um manancial de diferentes possibilidades para apanhar uma moca.

Como fui eu abordado, centenas de turistas também foram interpelados por estes vendedores ambulantes. Muitos recusavam mas vi uns quantos a fazerem negócios ali às claras, no meio da rua, como se estivessem a vender rebuçados de mentol.

É verdade que a grande maioria dos portugueses, muito graças às reportagens que tem passado na televisão, sabem que estes indivíduos não vendem realmente drogas, mas sim uma mistura de louro e malvas prensadas, que no máximo serviriam para fazer um cataplasma para tratar alguma irritação cutânea.

Não tenho pena daqueles que são enganados na compra de falsos estupefacientes, o que me provoca extrema irritação é o facto de Lisboa estar a passar uma imagem de centro comercial de droga e que ninguém se importa que tal aconteça.

É esta imagem que queremos que os nossos visitantes levem consigo? Que Lisboa é uma cidade sem rei nem roque, onde apesar de não haver liberalização da venda de droga, quem quiser vender pode fazê-lo à descarada?

Podem dizer que a Polícia está de mãos atadas, que não podem prender os vendedores porque o produto que tentam negociar não é ilícito.

Mas então que lhes passem multas se não tiverem a licença de vendedor ambulante. E não haverá nenhuma lei que proíba o incitamento ao consumo de estupefacientes? Até quando a Câmara de Lisboa vai assobiar para o lado e fingir que não há um problema flagrante a decorrer numa das zonas mais turísticas da capital?

Mudem as leis, tomem atitudes, mas por favor, este flagelo tem que ter um fim!

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Publicado por Triptofano

Farmacêutico a tempo inteiro, blogger nas horas vagas.

Foodie, free spirit e mais uns quanto termos que fica engraçado usar porque são em inglês!

https://triptofano.blogs.sapo.pt/

Comentários

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    • Caro Daniel, qual é o país dos outros e qual é o meu país, é que não consegui compreender!
      Já agora agradecia que conseguisse ter a capacidade de fazer um comentário sem ser insultuoso – afinal esta plataforma serve para uma troca de ideias, não para conflitos.
      Cordialmente
      Triptofano

    • Daniel certamente o produto que você comprou não é dos bons… ficou com as ideias todas trocadas 😉

  1. De tudo o que li neste comentário, o que me faz alguma revolta visceral é relação ao produto comercializável. No entanto só cai quem quer e desconfio que aquilo de puro produto não tem nada.
    Farinha ou similar, bolotas semelhantes, etc. Não me interessa.
    O que mais me interessa é saber que são estrangeiros a gozarem o sol nacional. Servidos por outros que só o podem gozar nas horas de folga. Isto tem uma razão de ser, a malta foi enviada sem bilhete de volta para o estrangeiro, porque cá ninguém lhes liga puto e pagar pelos seus méritos e valor muito menos. Ah, e sempre mandam para cá um largos milhões de Francos Suíços e Libras Esterlinas, quiçá, até a moeda que manda no mundo e que não vale nada o Dólar. Outro problema é que confundem os que vem cá deixar alguma massa, com os tugas que não a teem para gastar em explanadas. Diz-se por aí que nos países considerados ricos trabalham para e nós apanhamos sol? Não é verdade, somos confundidos com com alemães, holandeses e brifres.

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