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Bendito Metro e Oitenta e Sete

29Rock in Rio é sinónimo de gente. Muita gente. Quantidades astronómicas de gente.

E isso traduz-se em centenas de potenciais cabeças e outras partes anatómicas que poderão ficar á nossa frente bloqueando o nosso campo de visão para o palco.

Não sou nem tinha paciência para ser uma daquelas pessoas que está na noite anterior a acampar à porta do RiR, com uma algália e um saco de dois litros conectado ao aparelho urinário, alimentando-se de batatas fritas e argolinhas de chocolate branco do Minipreço, com os pais a fazer ligações via Skype para saber se os rebentos não foram raptados para testemunharem milagres da IURD, tudo para quando os portões se abrirem correrem desenfreadamente para ficarem na primeira fila de forma a levarem com o suor e outros fluidos corporais dos seus ídolos.

O irónico disto é que onde se realiza o RiR é onde eu costumo ir correr, por isso já conheço o local como a sola do meu pé, o que me faria dar uma abada a todas aqueles adolescentes surrentos que se lavaram apenas com toalhetes Dodot e cujas carências nutricionais os fariam ter câibras musculares dolorosas nos primeiros cinco metros de corrida.

Mais digo, se um dia por obra do Divino ou devido a um cocktail de álcool e drogas que não me iniba a função eréctil tiver um rebento, este levará um par de tabefes no focinho se ousar perguntar se não me importo de lhe ir levar umas mantinhas e o creme para o acne às duas da manhã para a fila do concerto.

Quis ir, desenrasque-se!

Tudo isto para dizer, que ver um concerto no RiR é tudo uma questão estratégica. Temos de analisar os declives do terreno. Perceber quais os ângulos mortos e possiveis entraves ao nosso campo visual.

E depois quando escolhermos o melhor local é conseguirmos lá chegar.

Empurra para aqui, empurra para lá, espeta-se o cú para um lado, a barriga para o outro, finge-se que se desmaia para ganhar lugar e meio, faz-se uma reza para que a pessoa da frente fique com diarreia ou que tenha uma insolação e precise de ir para o hospital, tudo vale para obter um bom lugar.

 

E quando se consegue é lutar por ele. Bloquear a passagem de outras pessoas. E mandar para trás de nós os espertinhos que só querem passar para ir ter com os amigos e depois estacionam mesmo à nossa frente.

Por tudo isto é que eu dou graças ao meu metro e oitenta e sete. Porque por mais cabeçudos que estivessem à minha frente bastava-me dar um passinho para o lado ou esticar o pescoço qual girafa à busca das folhas mais tenras, para conseguir ver os ecrãs gigantes e/ou o palco.

Menos sorte tiveram outros festivaleiros, do alto do seu metro e cinquenta conseguiram apenas vislumbrar as costas de dezenas de outras pessoas e nem tiveram a possibilidade de se orgasmar quando o Diogo Piçarra ficou de tronco nu. Na música, quando já não se possui mais nada, há sempre a possibilidade de mostrar alguma pele de forma a fazer alguns esquecer a nossa falta de talento musical. Parece o meu Instagram, quando não tenho likes nas minhas fotos vai de meter uma em fato de banho para aumentar os ânimos dos seguidores. Triste eu sei…

Na próxima edição do RiR, estou a pensar muita seriamente em armar-me em Super Diva e aparecer com uns saltos de 12 centímetros. Aí é que ficava com uma vista desimpedida espectacular, fazendo com que fosse odiado de morte pelas pessoas que ficassem atrás de mim. O único problema é saber onde é que vou comprar uns sapatos de salto tamanho 46!

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Publicado por Triptofano

Farmacêutico a tempo inteiro, blogger nas horas vagas.

Foodie, free spirit e mais uns quanto termos que fica engraçado usar porque são em inglês!

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