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Aníbal Cavaco Silva e os bebés dos portugueses

O dia 1 de Julho deu à luz uma notícia relativa ao antigo Presidente da República, vista e ouvida por muitos portugueses: Aníbal Cavaco Silva considerou que o país “precisa de mais crianças” e referiu que “os poderes públicos têm que criar condições para que os casais tomem a decisão de ter mais filhos”. Independentemente do conteúdo do discurso, parece-me que esta chamada de atenção faz todo o sentido, tendo em conta o número/percentagem de nascimentos de bebés em Portugal. O rácio entre velhos e novos é desequilibrado tendencionalmente para o lado dos reformados, e já há algum tempo que os sucessivos governos se preocupam com este problema, avançando com algumas medidas interessantes, mas que ainda não foram suficientes para inverter a tendência.

De seguida, multiplicaram-se comentários sobre as declarações do antigo Presidente da República, um pouco por todo o país, através das redes sociais. O que mais me chamou a atenção foi a forma grosseira como esses comentários foram registados, acentuando a forte impressão que eu já tinha relativamente à falta de civismo da população portuguesa: desde “decrépito” a “burro”, de “múmia paralítica” a “vira-casacas”, chamaram tudo ao antigo Chefe de Estado, sem dó nem piedade, sem respeito nem educação. E a troco de quê? De uma discussão construtiva? De uma reflexão conjunta – Governos e Cidadãos – que lance novas possibilidades estratégicas para que os casais jovens tenham confiança no futuro dos seus filhos? Não, o que me tem passado pelos olhos é apenas brejeirice, ignorância e insensatez, novas formas de sermos maus cidadãos. Fiquei muito preocupada, porque a falta de respeito por um antigo Chefe de Estado espelha também a falta de respeito em relação ao próximo, ao vizinho, ao colega, ao familiar.

E assim, o caminho é, decididamente, errado e inútil. Vamos dando pontapés em todas as pedras e ficamos com dores nos pés, em vez de apanharmos algumas para edificar as soluções de que necessitamos.

E já agora, Senhor Professor Aníbal Cavaco Silva, digo-lhe que concordo consigo, com todo o respeito que me é possível demonstrar através desta crónica de opinião. Não faço ideia se o país tem as auto-estradas e os campos de futebol em número suficiente, por isso, abstenho-me de comentar esse pormenor, mas tenho a certeza de que precisamos de dar à luz mais crianças e de construir um futuro justo e digno para Portugal e para os Portugueses.

Adília César, Educadora de Infância

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Publicado por Adília César

Educadora de infância e formadora no âmbito da Didáctica das Expressões Artísticas, sendo Mestre em Teatro e Educação. Publicou dois livros de poesia: “O que se ergue do fogo”(2016) e “Lugar-Corpo”(2017) e tem colaborações dispersas em revistas, magazines e poezines, nomeadamente: LÓGOS – Biblioteca do Tempo, Eufeme, Piolho, Estupida, Debaixo do Bulcão, Enfermaria 6 e Nova Águia, além de ensaios e artigos de opinião. É co-coordenadora do projecto literário “LÓGOS – Biblioteca do Tempo” e co-directora editorial da revista com o mesmo nome.

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