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A pedantice dos ignorantes

Três casos concretos com os quais tive de me cruzar e que, infelizmente, conheço bem demais. Gente com uma visão egocêntrica da realidade, de personalidade narcisista até à náusea, que apesar dos óbvios sinais de incompetência se julga superior aos demais.

Oportunistas, desprovidos de princípios e valores éticos ou deontológicos em termos profissionais, julgam-se acima da lei, têm uma notória falta de empatia e desdenham os colegas de forma ostensiva embora por vezes, como manipuladores que são, consigam fingir uma simpatia que não sentem e agem de forma hipócrita com vista a atingirem os objetivos a que se propõem.

Conflituosos, com uma sede de poder que não escondem, usam dos mais variados estratagemas para o atingir a todo o custo (de preferência sem esforço). Vingativos, utilizam a maledicência para se auto promover e servem-se da calúnia para desqualificar aqueles que se atravessam no seu caminho, em particular os que lhes ousam fazer frente.

Contudo, conseguem quase sempre obter benefícios indevidos seja a nível pessoal, académico ou profissional, à custa de esquemas fraudulentos, troca de favores e influências diversas.

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Um licenciado e mestre em comunicação social decide inscrever-se num doutoramento na área da sociologia. Nunca desempenhou funções como técnico superior nem tão pouco alguma vez na vida deu aulas em qualquer nível de ensino. Diz-se “assessor de comunicação” (para esconder aquela que era, na realidade, a sua categoria profissional: assistente operacional, um facto que omite do seu currículo), mas passa a considerar-se “sociólogo” e a exigir o tratamento deferencial de “senhor professor doutor” antes de concluir sequer a parte letiva do respetivo grau académico e de profissionalmente jamais ter desempenhado funções de investigação naquela área (aliás, nem noutra qualquer tão pouco).

Durante cinco anos esteve de licença sem vencimento, alegadamente para prosseguir a sua “brilhante carreira académica”. Nesse período nunca se soube se findou a parte curricular daquele ciclo de estudos ou se obteve o diploma de estudos avançados. Apenas se sabe que o seu nome não consta do repositório nacional como tendo concluído qualquer tese de doutoramento e continua inscrito como doutorando, gabando-se de já ir no segundo (como se tivesse concluído o primeiro).

Finda a licença regressa à autarquia onde desempenhava funções e à sua modesta carreira de assistente operacional. Entretanto, surge a oportunidade de através de um concurso em que teve a complacência do júri (que o dispensou ilegalmente da prova escrita e sobreavaliou a sua experiência profissional em termos curriculares) consegue ser promovido a técnico superior. Contudo, a incapacidade para colaborar em equipa (consequência do seu comportamento antissocial e caráter belicoso e prepotente) e as fracas competências demonstradas, fazem com que apenas lhe sejam atribuídas simples tarefas administrativas.

Apesar disso, avalia-se a si próprio como um excelente profissional e não admite críticas em contrário. Desprovido de valores éticos, tem por hábito apropriar-se das ideias dos outros e não tem pejo em considerar-se autor de trabalhos realizados por terceiros.

Não se lhe conhece qualquer estudo, uma simples nota ou um breve artigo que seja. Sempre se recusou a tornar pública a dissertação de mestrado (alegando que a discussão do tema não estaria “à altura dos seus interlocutores”). Numa breve passagem como “assessor de comunicação” numa entidade da Administração Pública, o serviço prestado foi de tão má qualidade que o contrato teve de ser cessado poucos meses depois.

Recentemente, após a “interferência” de um camarada de partido, passou a assistente convidado de uma universidade pública em acumulação com a função de técnico superior na autarquia sem, contudo, estar autorizado para o efeito e deixando em dúvida a qualidade científico-pedagógica da docência naquele estabelecimento de ensino.

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Um licenciado e mestre em direito encontra-se inscrito num doutoramento e no curso da Ordem dos Advogados (neste caso já vai no terceiro chumbo consecutivo e, por isso, não consegue passar da frequência da 1.ª fase do curso de estágio).

Entretanto, aceita que lhe passem uma procuração onde aparece como se já fosse advogado e nos requerimentos apresentados em nome dessa sua constituinte nunca refere a condição de estagiário pelo que, tendo essa ocorrência chegado ao conhecimento da AO, acabou com um processo disciplinar interposto pelo respetivo Conselho Distrital.

Embora o processo por “procuradoria ilícita” tenha sido arquivado, os atos praticados (entre os quais o plágio de um parecer de um colega e a prestação de falsas informações) são considerados com relevância deontológica e acaba suspenso e impedido de exercer a profissão de advogado.

Apesar da evidente falta de qualidade das peças jurídicas que produz, utilizando um discurso desconexo e uma redação cheia de erros gramaticais e até ortográficos, com citações legais erradas, utilização da mentira como defesa e calúnias como ataque, julga-se um profissional de excelência e no relacionamento institucional exige ser tratado como mestre e se alguém se lhe dirige apenas como “o Dr.” ou “o advogado” considera essa situação humilhante e o suficiente para justificar uma denúncia criminal por suposta ofensa ao seu bom nome e dignidade.

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Uma licenciada é técnica superior na administração pública há cerca de trinta anos. Nunca teve brio profissional, foi sempre avessa a qualquer tipo de formação profissional e muito pouco empenhada em adquirir novos conhecimentos pelo que não é de estranhar que a quase totalidade das tarefas de que é incumbida careçam de posterior correção.

Jamais desempenhou cargos de responsabilidade nem alguma vez executou trabalhos que merecessem destaque pela positiva. Tem por hábito referir que “não é paga para pensar” e comporta-se como se tivesse, de facto, limitações cognitivas.

Ao longo dos anos, nunca contestou nenhuma das baixas classificações de serviço que lhe foram sendo atribuídas incluindo a conclusão de que não possuía capacidade para exercer funções de categoria superior à que detinha, informação com a qual sempre concordou expressamente, por escrito, antes e depois da homologação das respetivas notas.

Eis senão que, ao mudar de entidade patronal, exige a revisão da atual posição remuneratória em função do suposto valor do seu currículo que considera exemplar e “sem mácula”, afirmando ter sido sempre mal avaliada durante décadas e vítima de injustiça.

Para o efeito não se coíbe de difamar, caluniar e injuriar a sua anterior diretora de Serviços, movendo-lhe uma perseguição doentia e obsessiva com sucessivas denúncias ao Ministério Público onde a acusa de dezenas de crimes (que nunca prova).

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Além de podermos encontrar outros traços a unir a personalidade destas três personagens (sendo a INVEJA um deles) há uma característica que sobressai e é comum a todos: a INCOMPETÊNCIA.

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Publicado por Ermelinda Toscano

Nasci na Trafaria em 1959 e resido em Cacilhas desde 2000. Licenciada em Geografia e Planeamento Regional, com pós-graduação em Gestão Autárquica. Trabalhei numa entidade autárquica supramunicipal de 1987 a 2015, tendo exercido o cargo de Diretora dos Serviços de Cultura de 2004 a 2014. Desde 2015 integro a Unidade de Fundos Estruturais da Direção-Geral das Autarquias Locais. Fui autarca na Assembleia de Freguesia de Cacilhas entre 2005 e 2010 e na Assembleia Municipal de Almada de 2009 a 2010. Pertenci aos corpos gerentes da SCALA – Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada durante vários mandatos sucessivos e sou Secretária da Direção da Associação de Cidadania de Cacilhas – O FAROL desde 2008. Concebi o projeto cultural “Café com Letras” em Almada (2003 a 2006) e coordenei a associação informal “Poetas Almadenses” (2006 a 2014).

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Sou Professora. Perdoem-me, se forem capazes.

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