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A nova (a)Ventura do André 'Chega' à Assembleia da República

Depois de umas eleições históricas, que colocou mais forças políticas no parlamento, quem saiu a vencer foi a democracia.

O Chega de André Ventura depois de cinco meses de luta foi o partido dos pequeninos mais votado. Chegou ao parlamento e foi alvo de críticas por todos os lados, de quem acredita que a extrema-direita chegou para radicalizar e que André Ventura é fascista e que vai conseguir mudar o rumo do país.

Calma. André Ventura não vai fazer nada sozinho. Ele é uma minoria. Calma. Mas talvez tenhamos que ter alguma atenção. Ao invés de criticar e apontar o dedo, não será melhor perceber quem votou nele e o porquê?

Ventura é comentador na CMTV, o canal de cabo mais visto pelos portugueses. Tem uma voz ativa e aborda assuntos sensíveis para a classe média – baixa.

Fala dos ciganos e dos pedófilos. Fala da criminalidade e de fronteiras. Fala de corrupção na política. Temas que estão cada vez mais presentes na sociedade e que têm efetivamente de ser abordados.

André Ventura não vai mudar nada sozinha. Mas a voz dele no parlamento e os assuntos que poderá trazer à baila são importantes e têm mesmo de ser falados.

Dizer que ele é Trump ou Bolsonaro?! Nada disso. Não o comparem.

O André aliás quis entrar, quis poleiro, quis visibilidade. Para conseguir sobreviver terá de se juntar a um partido de maior dimensão ou fazer certas cedências que o mantenham no sistema (ele que se diz agora antissistema, mas que em 2017 fez campanha pelo PSD e abraçava Passos Coelho). Vêem, ele não é aquilo que quer parecer. Até é bom rapaz.

Talvez seja importante refletir sobre quem são as 66 mil pessoas que votaram no Chega.

São talvez aqueles que estão descontentes e que lidam todos os dias com os problemas que André Ventura aborda. Ou então benfiquistas.

Portugal não voltará a ser uma ditadura. É bom que aceitemos as diferenças e não tenhamos medo de debater assuntos.

Vamos aceitar então André Ventura no parlamento. Tal como aceitamos a gaguez da Joacine, a bandeira da Guiné, os festejos da Iniciativa Liberal e as tentativas de agressão do Costa.

A democracia é assim. Não podemos gostar dela só quando nos convém. Vamos conviver com ideias e pessoas de que não gostamos. André Ventura foi eleito democraticamente, e essa vitória nunca ninguém lhe tirará, ainda que faça comichão a muita gente.

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Publicado por Margarida

Gosto de opinar sobre os mais diversos assuntos da atualidade. Este será o espaço onde darei o meu ponto de vista sobre o comportamento da sociedade.

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