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A motivação e a pedagogia do castigo

A motivação e a pedagogia do castigo são dos temas mais falados e tratados ao nível educativo/formativo, sobretudo no âmbito escolar e da aprendizagem. Mas também em muitas outras áreas, no sentido de melhorar e desenvolver competências individuais e coletivas, inseridas nos verdadeiros valores do ser humano, em que é determinante a ajuda à auto-análise, tendo como objetivo alcançar o máximo de poder interior e rentabilizá-lo, de modo a favorecer a realização e a satisfação em relação ao que fazemos, onde estamos inseridos e à própria vida, afastando medos, insegurança e até alguma perceção de atitudes de injustiça, ou de segregação.

Formar crianças e jovens é uma tarefa difícil e complicada. Sem dúvida. Implica, necessariamente, um vasto conhecimento de matérias sobre o desenvolvimento transversal, progressivo e sustentando, não só de modo a ser obtido o máximo de poder interior e satisfação com a vida, mas também promover a confiança e a capacidade para superar receios e contrariedades.

A educação/formação, não podem, ou melhor, não devem, com efeito, ser tarefas entregues a curiosos, mesmo que “muitas vezes” voluntários, mas sem conhecimentos pedagógicos, educacionais e técnicos, compatíveis, que inspirem segurança e credibilidade pedagógica transversal. Por outro lado, os recursos FORMALMENTE disponibilizados devem contemplar isso mesmo, cumprindo os objetivos inerentes. Com a formação das crianças, adolescentes e jovens não se brinca. A sua motivação e o seu futuro não podem ser postos em causa, não se compadecendo com arbitrariedades, atitudes de irreverência, afirmação pessoal, social ou, ocasionalmente, institucional.

Ora vem isto a propósito do que, por vezes, acontece no âmbito da formação desportiva, particularmente no futebol e que, tantas vezes, chega ao conhecimento geral.

Aplicar um castigo a um jovem atleta, mesmo que este o tenha merecido, não pode ser decidido de ânimo leve. Deve ter em conta múltiplas variáveis educativas e disciplinadoras, pedagogicamente adequadas, não vá um castigo, desde logo, ter o efeito contrário ao esperado. Aliás, segundo Friedrich Nietzsche, “o castigo foi feito para melhorar aquele que aplica.” Porém, tantas vezes acontece o contrário!…

Mas já Albert Einstein salientava que “ A condição dos homens seria lastimável se tivessem de ser domados pelo medo do castigo….” 

É certo que a prática do castigo está ainda muito enraizada, na nossa sociedade e nos seus valores, mas nem sempre essa postura será a melhor maneira de se educar/formar uma criança, proporcionando-lhe os métodos formativos mais eficazes e adequados.

Como pessoa ligada à educação e reeducação, sou de opinião que é melhor prevenir do que remediar, querendo isto dizer que é muito melhor definir e dar a conhecer as regras de forma clara, prevenindo o erro antes de castigar por errar, sem que às vezes o ato que levou à aplicação de uma medida disciplinar tenha sido protagonizado de forma minimamente consciente.

Por outro lado, o exemplo é um contributo determinante para o sucesso educativo/formativo. Também não menos importante é ter bem a noção da virtude e da motivação no percurso de um atleta, em função dos objetivos subjacentes.

Não se pode punir um atleta, só porque, pontualmente, violou as regras, sem serem verdadeiramente interpretados os motivos, nem, muito menos, perpetuar o castigo fora de tempo.

Neste contexto, um dirigente deve ser, sobretudo, um líder que inspire JUSTIÇA e confiança, que tenha consciência e atitudes pedagógicas claras, e não ser visto como uma pessoa que é mais rápida a punir que a ajudar, que não encontra formas positivas de ser e estar, com critérios de igualdade e transparência.

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