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A internet dos dois sentidos

Que o uso da internet nos ajuda a ter informação fácil e muitas das vezes decidir com certezas, è tão claro como água. A água rapidamente se torna suja e turva quando existe um líder que nos domina por completo.

Hoje, todos nós sabemos que estamos constantemente a ser “espiados” por uma máquina digital, onde insistimos de forma regular, comprar o modelo cada vez mais recente. Isto porque, apesar de todos os riscos que inconscientemente tomamos, por ser um perigo à nossa integridade enquanto seres humanos, ficamos dispostos a correr esse risco pelo prazer que nos dá ter essa simpática máquina nas mãos.

Todos nós, já nos deparámos numa situação em que estamos a falar com alguém sobre determinado assunto e que após a conversa, ao ligarmos o google ou Facebook no telemóvel, nos sugerem algo relacionado com o tema que acabámos de falar. A estratégia destas empresas è mesmo esta, limitar e controlar aquilo que nós vemos para consumirmos apenas o que eles querem que nós vejamos. O poder da marca nestas empresas è enorme e quanto a isto, só nos resta consumir, caso contrário, não acompanhamos este novo mundo conduzido e viciado por uma tecnologia que tanto nos dá alegrias.

O regime de proteção de dados, surge no pressuposto de abolir a partilha de informação confidencial e privada de utilizadores, que não concedem autorização para tal, a terceiros. Ainda assim, os ouvidos e a memória destes aparelhos, continuam a ter acesso a detalhes da nossa vida, preferências, férias, fotografias, dados de acesso a contas bancárias entre outras.

 Surge então a questão que todos nós já nos colocámos´: “Como é que isto è possível?”

È possível porque nós também permitimos isso! A tecla do “permitir” que de forma maçadora nos aparece ocasionalmente, è de facto um túnel que dá acesso a um conjunto vasto de informação que só nós deveríamos ter acesso. “Significa que os culpados disto são as empresas?”. O que acontece no ginásio è que nós para usufruir do espaço e do serviço em si, temos de o pagar. Estas empresas funcionam da mesma forma, se queremos usar determinada aplicação que è gratuita, não pagamos em termos monetários, pagamos em informação confidencial.

Torna-se uma moeda de duas faces. Para não abdicarmos do mundo digital que è exigido na maioria das nossas ações que façamos no dia a dia, oferecemos acesso a detalhes da nossa vida íntima a pessoas que nem sequer conhecemos. Apelidada como um dos monstros do século, a publicidade, è um dos poucos fenómenos que consegue impulsionar a alteração do nosso estilo de vida e que nos leva a esta “alçada militar” em que nos impõem comprar o que eles vendem.

Utilizar este microfone silencioso para desmantelar redes de tráfico de droga e infantil ou para desmontar um esquema de desfalque de um governo corrupto, seria certamente um uso bem maior de utilidade social a que presenteavam estas máquinas. Mas será que a “alta-roda” tem interesse em desmascarar este tipo de casos? O grupo de interesses vindo de tanto lado tem tanta força, que estes casos quando descobertos, acabam abafados. O caso do artigo 13, um tema bastante recente, è um exemplo claro de controlo de direitos de imagem excessivo e abusivo por parte destas empresas. Já todos nos apercebemos em que sentido caminhamos!

Comparamos a internet, como se de uma arma se tratasse nas mãos destas marcas. É sensível e à mínima afronta, qualquer um pode ter a sua “certidão de óbito”. Um dos desafios a que somos confrontados, enquanto utilizadores diários, è ponderar bem aquilo que devemos ou não publicar. Não nos esqueçamos, que mesmo ao estarmos camuflados por um pseudónimo, facilmente somos identificados através de um simples registo de pesquisa.

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