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A educação escolar tende para zero dando lugar à educação doméstica?

A educação escolar obrigatória é uma matéria sobre a qual todos julgam ser especialistas, mas poucos vêem que se instalou uma certa desconfiança sobre a instituição encarregada de conferir à criança um bom modelo de formação letrada: a violência, as drogas e o bullying .

A escola contemporânea também tem sido objecto de críticas, considerando-se a instituição um tanto ou quanto obsoleta, por não ter sido capaz de acompanhar os tempos,  nem a velocidade no fluxo das informações na sociedade digital , tornando-a desactualizada, lenta e não satisfatória, com grande dificuldade em fazer corresponder as práticas de ensino ao enorme avanço tecnológico.

Isso leva a que se tenha a percepção de que a escola é antiga, como se ela não mudasse, atada a práticas arcaicas que teimam em se reproduzir, levando à desmotivação da grande maioria dos alunos e por consequência à desmotivação, cansaço e por vezes até doença de professores.

A continuar assim, a escola pública tenderá para zero dando lugar à “homeschooling”, a prática de estudar em casa, acentuando deste modo o modelo de sociedade baseado em classes sociais?

No que diz respeito à legislação portuguesa, a orientação é clara: é firmada a obrigatoriedade escolar, que envolve, a um só tempo, a obrigação de o Estado oferecer escolas e a obrigação de os pais/encarregados de educação enviarem os seus filhos à escola.

A escola, além de ensinar a ler, a escrever e a contar – no sentido clássico – tem uma dimensão socializadora: ensino de valores, de atitudes, regras e parâmetros de convivência.

Além disso, há uma responsabilidade pública pela educação. E esta passa pela defesa da escola, pois basta recordar que só uma elite poderia ter a opção de não enviar os seus filhos à escola; posto que, para tanto, seria um requisito a possibilidade de a família ou deter consigo o domínio dos saberes escolares a serem ministrados ou possuir condições financeiras para contratar um(a) professor(a) particular em casa, que substituísse a escola.

Trata-se de algo muito para além de uma livre escolha!

Com quem, essas crianças que não iriam para a escola, conviveriam? Qual seria a instituição que se colocaria como intermediária entre a família e a vida social, se a escola, por definição, fosse excluída das acções sociais da juventude?

É indubitável o nosso dever de defender a escola, não a deixando envelhecer e cristalizar, mas sim modernizá-la e rapidamente!…

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Publicado por Filomena Silva

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