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A abstenção de uma outra forma

Que a maioria das pessoas são desinteressadas, por natureza, de política já não é novidade. Interessa com isto, irmos mais além e conhecer este fenómeno do outro lado da “mesa”.

Acabadas mais umas eleições legislativas, sucederam-se as mudanças a nível de assento parlamentar.Deparamo-nos com a perda de peso no círculo eleitoral dos partidos maioritários do governo, em contrapartida, os mais “pequenos” vão ganhando o seu espaço, impondo-se com as suas ideias futuristas de forma cada vez mais convincente e aceites.

Assistimos mais uma vez a recordes de abstenção, o que demonstra a sociedade profundamente desinteressada e desligada do mundo político onde se insere. Uma sociedade que há medida que se vai apercebendo do estado em que vivemos, decide estar quieta e que os outros decidam por “nós”. Quanto a isto, é necessário refletirmos sobre o tema da abstenção de uma outra forma.

A resposta que eu obtenho enquanto cidadão que tenta perceber um pouco melhor o porquê da distância das pessoas relativamente a este assunto que é a política, é sempre a mesma: ” Eles são todos iguais! “. A conversa de que os políticos não conseguem cativar esta geração com o seu discurso, na qual hoje nós chamamos “politicamente correto”, leva-nos ao busílis do tema da abstenção. Não será o discurso politicamente correto dos nossos governantes uma estratégia de combate ao abstencionismo?

“Se não querem escolher, depois não se podem queixar” avisa Marcelo Rebelo de Sousa

Estou convencido que falar aquilo que a outra pessoa quer ouvir é uma excelente tentativa de “curar” este fenómeno que é a abstenção. Uma vez que os resultados de abstenção, demonstram que efetivamente as pessoas já deram conta dessa estratégia, é oportuno dizer que o politicamente correto está a perder força na raiz do povo. Mas será que são as pessoas que não se revêm nos partidos? A dicotomia entre os valores na nossa sociedade é assim tão grande que por mais que eles falem das coisas, leva a querer que isto não vai mudar? Os escândalos que presenciamos na comunicação social, é a explicação para o oitavo recorde de abstenção obtido nos últimos 40 anos?

Quanto a isto, os entendidos neste tipo de matérias falam de eventuais medidas para combater este excessivo desinteresse. Será o incentivo financeiro ao voto uma medida? Certamente que comprar votos que se traduzem em decisões políticas não fundamentadas, levaria possivelmente a resultados que jamais seriam verdadeiros e concebíveis. O voto compulsório como acontece na Bélgica e Luxemburgo funcionaria cá? Estaríamos com toda a certeza a contrariar a nossa história, uma vez que foi precisamente a história de 1974, que nos deu hoje a liberdade de escolha para o fazer.

A prática de exercer o direito de voto, é algo que tem de vir da pessoa consciente e preocupada, uma vez que são essas que realmente contribuem para a mudança e para algo que todos querem, mas só alguns fazem. Este estado de consciencialização, deve vir inicialmente das escolas, com a introdução de temas e conceitos da vida política, mentalizando os mais novos para estas matérias, fazendo inclusive o favor de substituir a tão “mal-amada” formação cívica. Transformar-se-ia num espaço, onde geraria conflitos de ideias entre alunos sobre assuntos realmente importantes, em vez de se falar somente de futebol. Se temos religião e moral nas escolas, faz sentido não ter uma disciplina de vida política?

Quero ainda deixar uma ideia quanto ao panorama mundial que nos deparamos, que poderá ser para muitos coincidência, mas que para mim é óbvio. O aparecimento de líderes mundiais, tendencialmente com uma postura de declarações de revolta sobre os diversos temas sensíveis da sociedade, só demonstra da pior forma, a carência e o desespero de atenção que persiste neste tipo de assuntos. Mas será mesmo este aparecimento um mero acaso?

As figuras de países como Estados Unidos, Brasil, França, Reino Unido e Alemanha conseguem através da sua figura mediática e protestante, a atenção daqueles que há uns anos se riam de forma inocente e nada ligavam a estas matérias e hoje revoltam-se sobre as mesmas. O mesmo pressuposto aplicar-se-á na igreja. O Papa Francisco, numa altura em que para a geração moderna a religião é um “não assunto”, uma figura com a compostura e as suas declarações de humildade, simplicidade e modéstia virão só agora por acaso?

Deixar apenas a mensagem clara que a abstenção não se combate obrigando as pessoas ir votar contrariadas só porque lhes é imposto. Não se resolve, manipulando as pessoas com discursos falaciosos levando a querer que certa coisa vai mudar. A política no nosso país, é algo que tem de mobilizar as pessoas, fazer com que as que fazem parte dela sejam muito daquilo que não têm sido.

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